Já faz um tempinho que li o livro, mas desde que terminei a leitura venho pensando no tema dessa postagem. Então finalmente chegou a hora de falar os 3 motivos para a atemporalidade de O Diário de Nisha. Ou pelo menos o que eu acho que seja.
A história da divisão da Índia, suas tensões políticas e o destino da família de Nisha foi bastante emotiva. Me pegou desprevenida e assim como aconteceu quando li A Cidade do Sol e A Cor Púrpura, não consegui escapar nem um minuto da ideia de que tudo ali era tão real. Que essas personagens eram reais, seus sentimentos, dores e histórias pessoais.
E de certa forma, são. Já que a Partição aconteceu de verdade, assim como o êxodo.
Leia a nossa resenha:
E o que mais marcou foi que, mais de cinquenta anos depois, a história ainda soa tão atual. Todos os seus conflitos, suas motivações e os sentimentos transparecem na realidade de hoje em dia. Seja pelas guerras, as crises de refugiados criados por elaz ou os intermináveis conflitos religiosos.
Então, vamos a minha lista?
1 - Os conflitos com base religiosa
Em O Diário de Nisha, a Partição da Índia cria dois países, ao mesmo tempo em que a torna independente do Reino Unido. Com a partição, o Paquistão se torna a residência dos indianos muçulmanos, e a Índia a residência dos hindus e sikhs.
E é por conta dessa divisão de base religiosa que Nisha e sua família precisam migrar para o "lado" hindu. Deixando para trás parte de sua família - que não é de sangue - e as raízes da mãe, uma indiana muçulmana que morreu no parto dela e de seu irmão gêmeo.
2 - A busca pelo sentimento de pertencimento
Acho que a gente nem precisa falar muito desse, né? Querer fazer parte de algo, pertencer a um lugar, uma tribo. Todos querem fazer parte, desde que o mundo é mundo.
E com Nisha não é diferente. Em seu diário, a garota escreve sobre seu desejo latente de fazer parte da família de forma completa. Ela se sente deslocada do pai, que parece pensar apenas em trabalho. Se sente distante da avô materna, que não parece entendê-la. Se sente deslocada mesmo do irmão gêmeo, já que a medida em que crescem, diferentes padrões são estabelecidos para eles.
Nisha é uma pré-adolescente em um mundo em guerra, mas seus sentimentos são universais e atemporais. Seu desejo por compreensão e pertencimento são os mesmos dos adolescente de hoje e de amanhã.
3 - A pluralidade da família
O Diário de Nisha mostra que famílias vem em muitas formas. Que ela supera a barreira da religião, da distância e até da morte.
Para Nisha, a parte mais difícil de deixar sua casa é ter que abandonar as pinturas da mãe - suas memórias físicas dela, já que não chegou a conhecê-la - e deixar Kazi, o cozinheiro da família. Kazi é uma das únicas pessoas que parece compreendê-la. Mas ele também é muçulmano, o que significa que não estaria seguro no lugar para onde estão indo.
A dor da separação é vista em todos os membros da família. Mesmo na avó, que demonstra poucas emoções ao longo de toda a história de Nisha.
Em sua palavra e sentimento, a garota deixa claro que família tem a ver com aceitação, amor, compreensão e cuidado. Não necessariamente sangue. Uma realidade que é tão atemporal quanto a necessidade de pertencer.





Olá Bianca, tudo bem?
ResponderExcluirNão conhecia esse livro ainda, nossa fiquei super curioso depois que li a sua resenha, gosto demais do gênero e já vai para a minha lista de desejados, ótima resenha e dica.
Beijos.
http://devoradordeletras.blogspot.com/
O livro é muito bom, migs. Recomendo muito. Sem contar essa edição maravilhosa.
ExcluirBjs
Parabéns pelo trabalho que desenvolve aqui em seu blog. Cheguei até ele após uma pesquisa pelo Google e estarei acompanhando.
ResponderExcluirPor oportuno lhe convido para conhecer meu novo blog:
https://www.enfoqueextrajudicial.com.br
Obrigada, Winderson! Ficamos muito felizes que tenha gostado.
ExcluirBjs