Comentando diversidade #2

  • 09:00
  • 13 de jul. de 2020

  • Oi gente, estou de volta por aqui e hoje eu vou falar de mais três histórias nacionais com romance LGBTQIA+ que li recentemente. Como já havia comentado antes, a ideia desse projeto é poder apresentar novos autores e expandir horizontes quanto a literatura LGBTQIA+.

    Porque literatura gay não é apenas aquela com dois meninos se beijando e que normalmente é escrita por uma mulher branca cis e hétero. Literatura LGBTQIA+ vai muito além dos nomes famosinhos gringos, ou até nacionais (oi meu amor Vitor Martins) que estamos acostumados a ver no mainstream.

    E é exatamente por isso que nessa postagem quis apresentar histórias de autoras que vocês talvez nunca tenham ouvido falar, mas que merecem ser ouvidas. Todos os romances desses livros são sáficos. Mas, Eduarda, o que é um romance sáfico?

    Sáficos é o termo que utilizamos para um relacionamento entre mulheres. E não, isso não quer dizer que elas sejam lésbicas. Vamos lá:


    • relacionamento lésbico: relacionamento entre mulheres que se sentem atraídas única e exclusivamente por mulheres
    • relacionamento sáfico: relacionamento entre mulheres


    Entre Estantes, é um micro-conto escrito pela Olivia Pilar. Olivia é um nome mais reconhecido na literatura nacional, principalmente no nicho de romances sáficos. Possui vários contos publicados, alguns deles em coletâneas pela Página 7.

    Em poucas páginas vivemos junto com Isabel sua descoberta como bissexual. Tudo isso porque, em meio as estantes da biblioteca da faculdade, ela vê Helena e a partir desse momento não consegue não olhar para a outra garota. Um romance rápido, simples e muito fofo.



    Vingança, sorvete e nós duas tem pouco menos de 120 páginas, e foi escrito pela Rebecca Jorge. Sim, eu estou tentando não fazer referências com "Regina George" nesse momento.

    A premissa da história é simples: duas garotas que não se suportam são enganadas por um boy lixo e decidem se juntar em busca de vingança, o que elas não esperavam era que acabariam se apaixonando uma pela outra.

    A escrita da Rebecca é bem simples e o livro tem um tom mais adolescente, a busca pelo humor é o forte da narrativa. Teria sido uma leitura maravilhosa não tivesse sido um problema: não me senti confortável com a maneira como a personagem principal - que é gorda - foi retratada.

    Aqui é importante deixar claro que este não é meu lugar de fala (por isso até busquei opiniões sobre o assunto), mas é o da autora. E me sinto desconfortável em ter de apontar essa questão. Mas acredito que, na busca por fazer de Bianca uma personagem empoderada e que ame seu corpo, a Rebecca acabou caindo no lugar comum de como os personagens gordos costumam ser retratados. 

    Marquei no Kindle todas as vezes que a Bianca está comendo, pensando em comer ou associando algo a comida no livro. Não ficam mais de duas páginas sem que isso aconteça. Em muitos pontos o humor da história se dá no amor da personagem por comida, como por exemplo quando ela corre atrás de um carrinho de sorvete e esquece da amiga. 

    E eu entendo o humor, entendo que Rebecca esteja querendo empoderar a personagem, mas esse tipo de situação só reforça o humor depreciativo que sempre é feito com personagens gordos. Mas, de novo, não é meu lugar de fala.


    Fisgadas, foi uma das minhas leituras recentes para a #MLI2020. O livro de estréia da Angélica Glória é uma distopia inspirada nos dias atuais do país com um twist de ficção científica.

    Em uma ditadura comandada por um sádico conservador uma pandemia deixa todos alarmados e gera uma crise nacional. Em meio a tudo isso o governo lança um programa que promete gerar empregos, desde que as pessoas nele tomem uma nova pílula criada por eles. A partir daí, tendo seus desejos retirados e virando peças na mão do presidente, as pessoas passam a perder seus direitos a cada dia que passa.

    E é claro que como é de se esperar, as mais afetadas são as mulheres. Com cenas que remetem a The Handmaid's Tail, fica claro que o papel da mulher é o de servir e reproduzir. Os horrores são enormes e ser uma mulher lésbica neste mundo é terrível. Mas ser uma mulher negra lésbica é ainda pior.

    Fisgadas é um mar de referências sobre nosso governo e momento atual junto em uma salada de frutas com diversos elementos interessantes dos melhores clássicos distópicos da literatura. Angélica peca, no entanto, nos detalhes. 

    Por ser seu primeiro livro, talvez, fica faltando um segundo olhar. Os pov's repetitivos tornam a leitura cansativa e a visão é de que a história tem um potencial enorme que infelizmente não foi alcançado. Uma boa revisão, um trabalho bem elaborado junto a uns dois ou três leitores críticos e um copidesque fariam maravilhas pela história. O potencial está ali, ele existe, só precisa ser melhor lapidado.

    Espero que vocês tenham gostado do formato do post e que tenha ficado mais claro o objetivo do projeto: quero comentar com vocês sobre a literatura nacional LGBTQIA+ e isso as vezes vai significar surtar pela perfeição de um livro, mas as vezes vai significar apontar situações que eu não curti.

    Lembrando sempre que essa é a minha opinião sobre as histórias que eu li, e que vocês são livres para ter as suas próprias opiniões!

    E para terminar, me contem: qual o casal sáfico preferido de vocês? 

    1. Olá, Eduarda.
      Mais uma coisa que aprendo por aqui hehe. Dos citados só conhecia o primeiro que foi sugestão da Amazon na verdade hehe. Eu já li alguns livros onde as autoras falam sobre gordofobia e todos que li infelizmente caem nesse mesmo erro que você citou.

      Prefácio

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    2. Desde que aprendi a palavra sáfico eu sempre uso para referenciar seja romance sáfico ou lésbico porque eu acho a entonação da palavra mais bonita kkkkk
      Enfim... desses não li nenhum mas eu tenho alguns da Olivia Pillar e quero muito ler
      Beijos
      Balaio de Babados

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    3. Oi, Eduarda
      Não conhecia os romances sáficos, mas acho que tem um livro bem popular agora sobre isso né? Não sei se estou errada... eu não conhecia os títulos mas por serem curtos, dá pra ler rapidinho, então vou pegar as indicações!
      Beijo
      https://www.capitulotreze.com.br/

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    4. Oi, Eduarda

      Aprendi a diferenciar sáfico de lésbico no Twitter, fui até pesquisar a origem na época.
      Eu gostei do formato da postagem e o único que eu conhecia de vista é o do meio e eu leria apesar da ressalva sobre como a personagem gorda foi desenvolvida. Traga mais postagens assim sim! ;)

      Beijos
      - Tami
      https://www.meuepilogo.com

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    5. Oi Duda!
      Eu li bem poucos livros com personagem lésbicas ou com romance lésbico, mas vou tentar mudar isso. Geralmente quando penso nos LGBTQ, sempre vai pros gays porque é o que mais é lançado e divulgado. Mas conheci Pétala da Olivia Pilar e amei. To com esse da Estante no kindle e um outro. Pretendo ler ambos <3

      Abraços
      Emerson
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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    6. Olá,
      A representatividade é muito importante, e ver que está cada vez mais na literatura é maravilhoso. Principalmente quando foge do padrão forçado que víamos logo no início. Só conhecia o primeiro da lista, mesmo ainda não tendo lido, e vou anotar a dica dos outros.

      Beijo!
      www.amorpelaspaginas.com

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