Resenha: Psicopata Americano

  • 09:00
  • 8 de set. de 2020
  • Resenha: Psicopata Americano

    Resenhar Psicopata Americano vai ser difícil porque eis um livro perturbador como nenhum outro que li na vida. A controversa obra de Bret Easton Ellis, lançada aqui pela Editora Darkside - que cedeu este exemplar em cortesia - retrata uma mente perversa em todas as suas nuances, e por isso te prende do começo ao fim.

    Sinopse: Patrick Bateman é um sujeito aparentemente invejável. Jovem, bonito, bem-nascido com boa educação, ele trabalha em um conhecido banco de investimentos em Wall Street, enquanto passa as noites entre jantares, boates e festa particulares, regadas com todos os aditivos inerentes ao lado mais sombrio da vida noturna de Nova York no final dos anos 1980. Bateman, porém, tem alguns segredos bem guardados. Por trás da fachada de normalidade, possui o instinto de um serial killer, com toda a torpeza, degradação, asco e repulsa que um psicopata consegue provocar.

    A história é contada pelo ponto de vista de Pat, o psicopata funcional e perturbador que vive na elite de Nova York no fim dos anos 80. Em meio ao luxo e à riqueza, a mente de Pat se desconecta da realidade para que ele realize seus crimes monstruosos a dezenas de vítimas, usando sempre a sombra de bom moço e do desconhecido para que nenhuma suspeita caia sobre ele.

    Ler Psicopata Americano foi uma grande experiência de horror e desespero e raiva e medo. A escrita do autor é perturbada e te coloca justamente no lugar mais desconfortável da história - a mente do serial killer.

    O protagonista, Patrick, é sádico. Insano. Violento a níveis extremos e asquerosos. É o tipo de livro cuja classificação indicativa ultrapassa os dezoito anos porque requer muita maturidade e consciência para encarar essas cenas gore; apesar de em partes eu ter achado muita coisa gratuita, entendo que é a mente de um cara que vive pelos surtos violentos. Não dá para esperar menos da narração de alguém assim.

    O autor divide Pat entre esses episódios de descontrole total, onde ele se torna quase animalesco em sua sede de sangue e tortura, e os momentos apáticos para tirar ainda mais a humanidade dele. O prefácio inclusive cita isso como um motivo pelo qual o livro é tão focado em descrever coisas, a primeira vista, fúteis e inúteis.

    Resenha: Psicopata Americano

    São páginas e mais páginas de bens materiais luxuosos que não acrescentam, realmente, nada à narrativa, mas à desconstrução de qualquer traço humano do personagem que é Pat. Ele é uma máquina de informações consumistas e um surto de brutalidade e violência. Patrick é tudo que existe de pior em uma pessoa e além. Traços que já são horrendos por si só (sadismo, racismo, sexismo, homofobia, etc), no personagem, ultrapassam o absurdo.

    Causa repulsa. Ódio. Dá vontade de jogar o livro longe e gritar. Por causar tudo isso, como a história que ela é, funciona.

    Não é um livro que traz bons sentimentos em você, mas ele nunca existiu para isso. Assim como um livro de terror existe para aterrorizar, esse existe para perturbar. Pode não ser convidativo como história, mas é uma história a se discutir, principalmente porque a gente sabe que existem homens como o Patrick por aí.

    Resenha: Psicopata Americano

    Que têm muito poder ao seu alcance e usam e abusam dele - exageradamente, algumas vezes, ou moderadamente, mas de maneira inadequada da mesma maneira.

    O final abre margem para maiores discussões a respeito da psiquê do personagem e de quão longe sua mente insana ainda poderia levá-lo - ou o havia levado. Quando terminei, estava só o John Travolta naquele gif icônico.

    Não dá pra falar muito mais sobre o livro porque sinto que saber muito sobre o desenrolar da história entrega onde ela quer chegar - e onde talvez chegue ou talvez não chegue. É confuso? Sim. Tem muitas análises sobre o livro e o filme? Sim também, e eu vou assistir todas.

    Resenha: Psicopata Americano

    Assim como pretendo assistir o filme, finalmente, agora que me preparei para o que está por vir.

    A edição da Darkside é uma das coisas mais lindas e combina o visual patriótico estadunidense com a bizarrice insana que é a narração do Patrick. Capa, diagramação, tudo impecável - a tradução do Paulo Raviere está muito boa e a revisão também não deixou nada a desejar. 

    Psicopata Americano é uma montanha-russa difícil e perturbadora que não é para qualquer um. Se tem estômago fraco ou se impressiona fácil com nuances e situações escancaradas de crueldade, não é uma leitura para você. Mas, se tem curiosidade de conhecer mais sobre a história que inspirou o filme e também sobre a mente de um dos maiores psicopatas que a literatura já viu, esse lançamento é uma oportunidade para isso.

    Título original: American Psycho
    Autor: Bret Easton Ellis
    Editora: Darkside
    Tradução: Paulo Raviere
    Gênero: Thriller | Horror
    Nota: 4

    1. Ótimo artigo, muito bom visitar e ler seus conteúdos! Sempre com qualidade e excelente informações!!!


      Meu Blog: Isaac Roberto

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    2. Não é um livro da caveirinha que me interessa. Já assisti o filme e odiei, então pela resenha eu sei que tudo o que odiei no filme iria me incomodar mil vezes no livro
      Beijos
      Balaio de Babados

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    3. Eu adorei a capa desse livro, gostei da sua resenha.
      Já pretendo ler esse livro.
      Beijos!
      https://perdidanosrabiscos.blogspot.com

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