Resenha: A Quinta Estação - N.K. Jemisin - Queria Estar Lendo

Resenha: A Quinta Estação - N.K. Jemisin

Publicado em 4 de mar. de 2021

Resenha: A Quinta Estação - N.K. Jemisin

A Quinta Estação é o primeiro volume da trilogia A Terra Partida, da N.K. Jemisin. A história fantástica foi vencedora do Hugo Awards e acompanha três pontos de vista em diferentes pontos desse continente chamado A Quietude - tudo isso enquanto o fim se aproxima.

Outros livros na vibe que podem te interessar:

A Quietude é um mundo constantemente devastado pelas falhas sísmicas que o constituem. Os períodos de estabilidade são chamadas de Estações, e eles estão se aproximando da Quinta - o que significa que o fim está próximo.

Nesse universo, existem os normais, os Guardiões e aqueles com poderes de orogenia. Os Guardiões são responsáveis pelo treinamento e supervisão daqueles que controlam a orogenia - que é o poder de mover montanhas, paralisar terremotos e destruir mundos, se um deles quiser.

A história acompanha três personagens em núcleos distintos. Uma garotinha chamada Damaya, que é uma orogene e é encontrada por um Guardião para ser treinada. Uma mulher chamada Syenite, que faz parte da casta Reprodutora e está treinando para avançar nas conquistas de poder e se provar para a organização que treina os orogenes. E, por fim, Essun, uma mãe devastada pela perda abrupta do filho pelas mãos do pai dele, e que sai em uma jornada de vingança para encontrar o assassino.

É isso que você deve se lembrar: o fim de uma história é sempre o começo de outra.

É muito difícil explicar o quanto esse livro é brilhante. Merecedor de todo hype, sim, extremamente fascinante do começo ao fim, com uma construção de universo de deixar babando.

Você acredita na Quietude e nos poderes orogenes e no fim do mundo se aproximando. Você se emociona com a jornada da Essun, com o crescimento da Damaya e com as conquistas da Syenite.

As histórias estão interligadas, mas é pouco a pouco que você entende como e por que. E, nossa, como a Jemisin é GENIAL na maneira com que traça os paralelos e os pequenos detalhes. Lentamente, ela te deixa ver o que está acontecendo no contexto geral, e aí só gritos e choques para explicar o que senti.

Resenha: A Quinta Estação - N.K. Jemisin

O mundo de Quietude é aterrorizante pela instabilidade, pela selvageria da natureza e pelo modo com que o incerto está sempre rondando seus habitantes. As histórias das Estações anteriores enchem extras nos fins dos capítulos e em narrações das personagens, e eu fiquei ávida por mais e mais e mais, como sempre acontece em fantasias bem escritas.

É também um mundo cheio de informações e detalhes e, de novo, a construção dele enche seus olhos. Apesar da sensação de perdição no começo do livro - o que é normal em fantasias assim - logo eu me vi fisgada para continuar lendo e lendo e entendendo mais e mais, até me sentir familiarizada com tudo.

Os pontos de vista de A Quinta Estação ajudam por variar entre as idades das personagens. Com a Damaya, a gente tem apresentações mais versadas e longas, compreendendo o mundo ao qual ela está sendo exposta - e a gente, consequentemente - conforme as coisas aparecem na sua frente. Toda a questão da orogenia e dos Guardiões e da crueldade com que a Quietude trata aqueles com poder, por medo e por opressão, é entendida através dos seus olhos.

Somos deuses acorrentados e, pelas ferrugens: Isso. Não. Está. Certo.

Com Syenite, temos um ponto de vista mais maduro, mas jovem e revoltado. Ela quer se provar, mas questiona o tempo todo. Ela tem medo das consequências, mas passa a ver sua jornada e provações como injustiças como são; ao lado de Alabaster, seu sênior e responsável e companheiro tanto de jornada quanto de cama, Syenite viaja através do desconhecido e do conhecido para colocar sua lealdade à prova.

Resenha: A Quinta Estação - N.K. Jemisin

E Essun, por fim, é uma visão mais entregue e exausta da vida. Por tudo que ela perdeu com a tragédia do começo do livro e o que encontra em seu caminho de vingança, acompanhamos uma mulher marcada pelo tempo e pela frustração e, principalmente, pela impotência.

As três carregam a orogenia, mas como ela se manifesta em cada uma condiz com suas jornadas. A incerteza; a revolta; a perdição. São mulheres maravilhosamente bem escritas, do começo ao fim de suas histórias.

Os coadjuvantes que aparecem para rechear suas jornadas foram muito interessantes e multifacetados. Personagens na zona cinza; alguns mais maus, outros mais agourentos, outros que simplesmente se cansaram de tentar. O que eu mais gostei de ler foi o Bas, companheiro da Syenite, por toda sua complexidade e poder exorbitantes e o que isso significava para a protagonista e seus arredores.

Do começo ao fim, foi um livro intenso e questionador. Falou sobre abuso de poder e opressão daqueles que diferem da "normalidade" com bastante crítica, e abriu espaço para mais discussões sobre isso, sobre a sensação crescente de retribuição que tanta opressão causa. Mais ou menos como a divisão entre os mutantes representados pelo Xavier e o Magneto.

Resenha: A Quinta Estação - N.K. Jemisin

Eu terminei querendo mais e muito feliz por ter a trilogia aqui para ler até o fim. É uma fantasia impressionante, que dá voz as personagens femininas multifacetadas e com jornadas difíceis, cheias de provações e perdas, mas conquistas e reviravoltas junto com isso.

Inverno. Primavera. Verão. Outono. A Morte é a Quinta e ocupa o trono.

A Quinta Estação foi uma surpresa bem-vinda e se tornou um novo favorito na minha estante. Para quem quer uma fantasia mais desafiadora e que fuja dos padrõezinhos do gênero, eis uma indicação pra levar pra vida!

Sinopse: Vencedor do Hugo Awards. É assim que o mundo termina. Pela última vez. Três coisas terríveis acontecem em um único dia: Essun volta para casa e descobre que seu marido assassinou brutalmente o próprio filho e sequestrou sua filha. Sanze, o poderoso império cujas inovações têm sido o fundamento da civilização por mais de mil anos, colapsa frente à destruição de sua maior cidade pelas mãos de um homem louco e vingativo. E, no coração do único continente, uma grande fenda vermelha foi aberta e expele cinzas capazes de escurecer o céu e apagar o sol por anos. Ou séculos. Mas esta é a Quietude, lugar há muito acostumado à catástrofe, onde os orogenes - aqueles que empunham o poder da terra como uma arma - são mais temidos do que a longa e fria noite. E onde não há compaixão.

Título original: The Fifth Season
Autora: N.K. Jemisin
Editora: Morro Branco
Tradução: Aline Storto Pereira
Gênero: Fantasia
Nota: 5+

2 comentários:

  1. Suas postagens são ótimas, estou seguindo seu blog e curtindo bastante!! Parabéns!

    Meu Blog: Acertar na Loteria

    ResponderExcluir
  2. Tenho esse livro aqui na estante e é um dos que quero desencalhar esse ano. As mensagens que ele trás parecem incríveis e eu preciso conferir.

    Bjs

    Imersão Literária

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário, sua opinião é sempre muito bem-vinda!



@QueriaEstarLendo