Será que você teria matado Hitler? - Reflexões pós-Kindred: Laços de Sangue

  • 09:00
  • 2 de dez. de 2020
  • Será que você teria matado Hitler? - Reflexões pós-Kindred: Laços de Sangue

    Aposto que você já disse ou pensou algo parecido, né? Durante aquela aula de história sobre o nazismo, por exemplo. Imaginando como a população alemã deixou as coisas chegarem onde chegaram, como ninguém parou ele?

    Eu sei que eu já. Mas recentemente li The Truth About Alice, da Jennifer Mathieu, e uma das personagens reflete sobre isso em determinado momento. Ela diz que provavelmente teria sido um nazista também, porque não teria coragem de ser qualquer outra coisa. Que todo mundo gosta de dizer que teria feito algo diferente, mas a verdade é que poucas pessoas fizeram.

    Será que você teria matado Hitler? - Reflexões pós-Kindred: Laços de Sangue

    E isso me fez voltar a pensar em Kindred - Laços de Sangue, da Octavia E. Butler. Na história, Dana, uma mulher negra nos anos 70, começa a viajar no tempo de forma misteriosa, para uma Maryland escravagista. O que a obriga a lutar para sobreviver e manter sua árvore genealógica intacta.

    E uma das discussões que o livro levanta é se realmente faríamos tal coisa, quando confrontadas por ela. Não necessariamente matar Hitler - esse foi só o exemplo no início. Mas a respeito de qualquer coisa. Na década de 70 Octavia E. Butler já estava falando o que muita gente hoje em dia não tem coragem de falar: talvez não somos tão corajosos quanto pensamos.

    Em Kindred - Laços de Sangue Dana reflete muito sobre a forma como ela se acostuma a viver daquela forma: escravizada, submissa. E chega a conclusão de que é muito fácil você falar que faria X ou Y em determinada situação, mas só porque você nunca, realmente, viveu ela. Você não sabe como vai reagir na hora, você não sabe o que é capaz de fazer, de se acostumar, só para sobreviver.

    É algo que tenho pensado muito sobre. Sobre convicções. Sobre acreditar em algo sem que isso seja colocado a prova. Sobre até onde aguentaríamos uma situação adversa antes da nossa convicção estremecer. E se conseguiríamos retornar a elas.

    1. Pra mim isso é muito como pensar em situações extremas como: se precisasse matar alguém para se defender, será que você faria isso? Eu nunca consegui responder essa pergunta, porque é impossível saber qual será mesmo nossa reação ao nos deparamos com uma situação assim. Gostei muito da premissa e gosto muito de livros que são à frente do tempo assim. Levantar essa questão da dúvida e ainda mais um assunto delicado como esse é muito forte e importante. Com certeza vou ler.

      Blog Tagarelando Livros

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    2. oi, achei a premissa bastante interessante. Com certeza vou ler.
      bjs
      https://deliriosdeumaliteraria.blogspot.com/

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    3. Oi!
      Faço questionamentos semelhantes sempre quando assisto ou leio alguma história apocalíptica, será que eu teria forças para fazer tudo o que fazem pela sobrevivência? Será que é a família é que dá um gás extra para passar por isso tudo?

      Beijão
      https://deiumjeito.blogspot.com/

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