Resenha: Rule of Wolves - Leigh Bardugo - Queria Estar Lendo

Resenha: Rule of Wolves - Leigh Bardugo

Publicado em 12 de abr. de 2021

Resenha: Rule of Wolves - Leigh Bardugo

Rule of Wolves é o último capítulo do universo Grisha, criado pela Leigh Bardugo lá em Sombra e Ossos. Sequência direta de King of Scars, esse livro veio para dar um fechamento às histórias entrelaçadas por guerras e pessoas mágicas e fez isso com louvor.

Esta resenha vai conter spoilers de King of Scars, da trilogia Grisha e da duologia Six of Crows.

Se você gosta desse universo, vai gostar de conhecer:

Rule of Wolves se inicia exatamente onde King of Scars teve fim. O Darkling retornou através do ritual realizado na antiga Dobra das Sombras e agora é prisioneiro do rei. Enquanto tentam decidir como lidar com esse visitante nada bem-vindo, Nikolai e Zoya têm que cuidar das fronteiras de Ravka e da guerra iminente contra Fjerda.

Do outro lado do mapa, Nina ainda está vivendo sua vida de espiã. Ao lado de Hanne, a única pessoa que sabe a verdade sobre sua identidade e sua missão ali, Nina segue observando os passos do comandante Brüm e, devagar, da realeza fjerdana. Procurando, sempre, alguma brecha em seus planos que possa ajudar os ravkanos a vencer esse embate.

Enquanto o ritmo de King of Scars me incomodou pela lentidão durante quase metade da história, a narrativa de Rule of Wolves começa bem mais frenética e mantém esses picos de adrenalina com momentos de monotonia de maneira bastante regular. Em nenhum momento desse livro eu me senti entediada - com exceção dos capítulos da Nina, mas já falo sobre isso - ou perdida na história. Tudo era interessante, tudo entregava boas reviravoltas pra trama principal.

O arco da guerra entre Ravka e Fjerda é muito intenso do começo ao fim. O fato de Ravka ter menos números e menos aliados e estar lidando com uma força militar superpotente causa tensão na narrativa; você sente medo pelos personagens, pela incerteza do que vão confrontar, pelo que precisam fazer para estar à altura da luta.

Resenha: Rule of Wolves - Leigh Bardugo

David e suas invenções bélicas pode ser uma chance para o país, mas ainda é uma chance em um milhão. As participações dele e da Genya no decorrer da história foram ótimas, especialmente uma em particular que me fez sorrir e chorar.

Leigh Bardugo realmente não poupou na hora de escrever momentos emocionantes. É realmente uma despedida, porque temos participações especiais de tudo que é canto. Da trilogia Grisha, rostos familiares retornam em momentos chave. De Six of Crows, também. Eu gritei e berrei e corri em círculos com todos os personagens conhecidos aparecendo para ajudar com o que sabem fazer de melhor; uma participação, acima de todas, me deixou com o coração acelerado de tão BOM que foi o momento que a Bardugo escolheu para colocá-la ali.

Em relação ao núcleo principal, o arco da Nina foi o mais morno para enrolado como já tinha acontecido no volume anterior. Eu não consegui me importar, realmente, com tudo que estava acontecendo porque soava como um repeteco dos dramas já vistos em relação ao seu luto e sua tentativa de superação.

Eu esperava mais em relação ao emocional da Nina, mas tudo soou artificial e apressado. A rainha do slowburn apressando romance, vê se pode! Ainda mais com o potencial que esse aqui tinha, começando na amizade para algo mais. A bem verdade, eu não senti a urgência e o angst todo que esse casal clamava ter, então foi só uma faísca que não me despertou em nada.

E o final exato que a Bardugo deu pra ela e pro ship... Eu me senti bem "tem certeza?" com relação a UMA COISA. Toda a questão abordada durante o livro é ótima e super válida (e eu espero que tenha passado por leitura sensível), mas a última decisão que certos personagens tomam, o que eles decidem fazer... Não. Apenas não.

A respeito de todo o resto pelo que a Nina tá passando ali na Corte do Gelo, tem momentos bem tensos de espionagem e segredos descobertos e tem umas situações que eu me perguntei cadê a Nina Zenik e por que substituíram ela por uma toupeira?!

Talvez o poder em ser humano é que nós não desistimos - mesmo quando toda esperança está perdida.

Fjerda é revoltante, mas também tem aquele espaço para falar sobre doutrinação e tem um pequeno empurrãozinho da Nina em direção a outras crenças. Eles viveram vidas acreditando que os Grishas eram monstros, deturpações da natureza, mas não seria seu próprio deus um problema também? Por que os Grishas não podem ser os fazedores de milagres?

Resenha: Rule of Wolves - Leigh Bardugo

No núcleo de Ravka, Nikolai e Zoya roubam todas as cenas. Eles são intensos, sua relação é de soltar faíscas e, nossa, eu morreria pelos dois. Pelo Nikolai, todo mundo já sabe, mas a Zoya foi um espetáculo de personagem desde a primeira cena.

Furiosa, feroz e extremamente dedicada à salvar seu povo e seu país, ela é uma soldado poderosa, uma Grisha impossível de parar e ainda carrega consigo um poder ancestral que, se despertado, pode mudar todo o jogo de poder no mundo.

Eu adorei seus momentos de vulnerabilidade. Quando conhecemos mais sobre seu passado, sobre suas origens e o que isso tudo representa para ela. Sua relação com os outros personagens foi essencial para a história também, mostrando o quanto ela se importa, mesmo fingindo tanta frieza e mantendo a pose estoica.

Resenha: Rule of Wolves - Leigh Bardugo

Zoya é uma força da natureza e eu amei, amei, amei todo tempo de história que a Bardugo dedicou à ela. Todo o arco que deu para a personagem.

Ela podia silenciar uma tempestade tão facilmente quanto podia convocá-la.

Nikolai, sempre engraçadinho e sarcástico, carrega todo o peso da coroa, da guerra e do que isso significa para o seu país. Eu sofri por ele, chorei por ele e o amei ainda mais. Todas as suas decisões são inteligentes, racionais ou emocionadas, e com razão. Todas as suas escolhas são feitas sob medida e muito cálculo.

Tudo que ele faz, todas as peças que move no tabuleiro, tudo é essencial para o desenvolvimento da história - o que mostra mais e mais a mente brilhante por trás do rei das cicatrizes.

E abram alas para o melhor ship impossível/angst de doer o coração que já existiu no mundo Grisha que é Zoya e Nikolai. As relações políticas e seus cargos os impedem de ficar juntos, suas mentes teimosas os impedem de revelar seus sentimentos, e a gente sofre muito por isso. A química entre os dois salta das páginas e só dá vontade de chorar e rolar pelo chão porque é impossível, mas você quer!

Tem uma cena em particular que eu parei de ler de tanto que estava chorando e soluçando.

O arco dos Shu Han se encaixa muito bem à guerra como um todo e traz algumas revelações surpreendentes para a história. Não vou falar muito a respeito, mas eu gostei de tudo o que li - nas questões políticas, nas diferenças culturais e até nas alianças inesperadas.

"Como paramos isso?" 
"Matando o Darkling." 
"Essa é a sua resposta para tudo."

Acho que a última peça essencial, para minha absoluta revolta, é o Darkling. Sim, esse inferno voltou. Sim, continua um porre com os discursos de vilão megalomaníaco que acha que tá fazendo o certo em tudo. Eu amei seus confrontos com outros personagens porque todos apontaram o dedo na cara dele pra mostrar o quanto era hipócrita e ridículo e monstruoso.

Mas também fiquei surpresa porque o arco dele na história é um encerramento interessante. Não imaginei que a Bardugo seguiria por aquele caminho, mas que outro final um assassino que se considera o santo salvador poderia ter?

"Somos todos monstros agora, Nikolai."

Rule of Wolves foi um final arrebatador pra roubar seu fôlego e seu coração. Foi um adeus (por enquanto, definitivo) ao universo Grisha e um recomeço para todos os personagens mais queridos dessa saga. Eu me despeço de todos eles, mas deixo aqui um adeus especial para os meus mais queridinhos de todos os livros: Nikolai, Alina, Inej, Kaz, Jesper, Wylan, Zoya, Nina, Matthias, Maly, Tolya, Tamar. Obrigada por todas as suas histórias.

Título original: Rule of Wolves
Autoras: Leigh Bardugo
Editora: Imprint
Gênero: Fantasia
Nota: 5+


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