Resenha: Os Reis do Wyld - Nicholas Eames - Queria Estar Lendo

Resenha: Os Reis do Wyld - Nicholas Eames

Publicado em 27 de dez. de 2021

Resenha: Os Reis do Wyld - Nicholas Eames

Os Reis do Wyld é a estreia do autor Nicholas Eames, e uma estreia pra lá de carismática. Publicado aqui pela Editora Trama - que cedeu este livro em cortesia para a resenha - é uma aventura medieval que mescla bom humor e sarcasmo em uma jornada de resgate e desastres, reunindo um bando de guerreiros há muito tempo aposentados.

Conheça outras histórias com um bom humor maravilhoso e muita aventura:

Clay está vivendo bem sua vida de casado; pai de uma garotinha que adora colecionar sapos, o uma vez grandioso guerreiro Mão Lenta se tornou uma figura doméstica. Pelo menos até um companheiro do seu antigo bando, o Saga, aparecer em sua porta pedindo ajuda.

A filha de Gabriel, uma mercenária destemida, está presa em um cerco a uma cidade impossível de alcançar. Mas só é impossível para quem não tenta, e o bando Saga foi conhecido, muito anos atrás, por tentar e ser bem sucedido em todas as missões impossíveis que aceitava realizar.

Para viajar até a cidade cercada e tentar resgatar a mercenária, no entanto, eles precisam reunir o bando todo. Isso significa: encontrar um rei que provavelmente não vai querer abandonar as riquezas pela incerteza da estrada; um mago surtado que perdeu o marido para a Podridão anos atrás, e pode estar um pouco mais surtado atualmente por isso; e um guerreiro preso em um lugar impossível de sair sem alguns acordos.

Resenha: Os Reis do Wyld - Nicholas Eames

Os Reis do Wyld é, sem sombra de dúvidas, um dos livros mais engraçados e entusiasmantes que eu já li. Acompanha um grupo de aposentados e perigosos no que promete ser sua maior aventura.

A narrativa do Nicholas Eames te coloca na jornada tal como uma boa história tem que fazer; te apresenta ao universo cheio de perigos mortíferos e detalhes hilários, fala sobre os feitos épicos do antigo bando para depois mostrar os velhos aposentados que em muito precisam desenferrujar para enfrentar o que está por vir, e nos leva junto a esses personagens simpáticos para uma missão impossível.

Os Reis do Wyld me deu umas vibes de Monty Python nos momentos completamente absurdos de tão engraçados, principalmente aqueles que envolviam o mago Moog e suas magias fora de sentido, mas eficazes mesmo assim (uma vibe do Tim, o grande feiticeiro de Em Busca do Cálice Sagrado).

Um dragão era capaz de planejar e engendrar; e falava, embora ninguém (nem mesmo Moog) fosse capaz de decifrar o idioma dracônico.

Ao mesmo tempo em que o humor é ótimo, sob medida e encaixa muito bem na história, usando os elementos clássicos das fantasias medievais justamente como parte da brincadeira, o autor também usa detalhes mais sérios para trabalhar seus personagens. Moog, de novo, é esse mago brincalhão e atrapalhado que tem muita dor em seu passado, tendo perdido o marido para a Podridão (uma doença vinda das florestas de Wyld que, uma vez pega, não pode ser curada), e agora carrega as cicatrizes disso.

Também tem a tensão de não saber o destino da filha de Gabriel, que é o ponto principal da missão de resgate. Tudo que se fala sobre o cerco à Castia, a cidade onde ela está presa, é mais e mais terrível, e a gente, juntos aos personagens, fica nessa incerteza sobre o destino da cidade e da mercenária.

Clay havia muito desconfiava que a história era só isso: uma história. Um jeito de dar sentido a um mundo sem sentido.

Em relação ao bando, é de uma simpatia tão exagerada que não tem como não amar cada um deles. Clay é obviamente a figura mais contida; o grandalhão com coração de ouro. Gabriel costumava ser o líder, o cavaleiro de ouro em que as pessoas se inspiravam, que gerava canções e contos épicos aos bardos; agora, ele está marcado pela solidão e pela culpa de não ter ajudado a filha quando podia.

Moog, como eu mencionei, foi meu favorito porque era mistura perfeita de estabanado com velhinho precioso que dá vontade de abraçar. Matrick, o rei, é uma surpresa bem-vinda; apaixonado pela vida, pela liberdade e por bebidas, ele entrega momentos engraçados junto a Moog. E, por fim, Ganelon, o ponto sério do bando, mas que acaba se metendo numas situações sem pé nem cabeça que também arrancam boas gargalhadas.

Resenha: Os Reis do Wyld - Nicholas Eames

Os Reis do Wyld é uma fantasia medieval perfeita para fãs de RPG e de boas aventuras, e com certeza vai agradar pela sensação de irmandade do bando e também pelas imperfeições que cada um dos membros carrega. Com o tempo, o Saga se torna querido para quem está lendo; com o tempo, você cresce em preocupação e emoção com o que cada um deles está vivendo.

- Nós já fomos gigantes, lembra? Os Reis do Wyld.

Os cenários têm mínimos - e, portanto, imensos - detalhes que tornam toda cena uma experiência para a imaginação. Das tavernas que o bando visita aos navios voadores, arenas de batalha, monstros terríveis e monstros não tão terríveis, mas muito civilizados; das cidadezinhas à grandiosidade sombria no coração do Wyld. A narrativa do Nicholas Eames te faz embarcar no resgate e te faz parte do Saga e das histórias individuais de cada personagem.

E, de novo, como esse livro é engraçado. É debochado e natural como o bom humor tem que ser. Eu me vi gargalhando com os trechos que enfiavam personagens em situações absurdas; viagra mágico, bandos de guerreiros que em muito se parecem com influencers da nossa realidade, zumbis que cantam e compõem lindas melodias.

Outro detalhe que eu adorei: não é um livro masculino e macho como muitas fantasias como essa costumam ser. Além da surpresa muito bem-vinda e bem explorada de ter um dos protagonistas gay o autor brinca com os detalhes bastante comuns em fantasias medievais. Personagens femininas enchem as páginas em diferentes papéis nessa sociedade, criando famílias, assaltando idosos, caçando monstros ou se tornando eles.

- Almoço com canibais? Só por cima do meu cadáver. 
- Acho que a ideia é essa mesmo.

A edição de Os Reis do Wyld segue o estilo dos outros livros da Trama: é linda, bem feita, com um papel de alta qualidade e tradução impecável (da Regiane Winarski). Os capítulos são divididos por folhas pretas, tem um MAPA na abertura (nunca fui triste!); também curti a adaptação da capa que trouxeram pra cá, com ilustração de Amaury Filho. É perfeita para a vibe que a história desses vovôs rock & roll com dor nas costas passa.

Resenha: Os Reis do Wyld - Nicholas Eames

Do começo ao fim, eu ri e me emocionei com a missão impossível, familiar e estupidamente heroica que esses não-tão-jovens viveram.

Vale lembrar que é livro único! Os outros da série são independentes; se passam no mesmo universo, mas exploram aventuras de outros bandos.

Sinopse: Clay Cooper e seu bando foram os melhores dos melhores, o grupo de mercenários mais temido e estimado deste lado de Heartwyld. Seus dias de glória ficaram para trás quando cada membro decidiu seguir seu caminho. Eles envelheceram, engordaram, passaram a ficar bêbados com mais frequência… não necessariamente nesta ordem. No entanto, a vida de Clay muda completamente na noite em que um de seus antigos companheiros de bando aparece na sua porta para pedir ajuda: a filha dele está presa em uma cidade distante, sitiada por um inimigo que os supera em número e que está sedento por sangue. Esta missão de resgate é algo que apenas os mais nobres e valentes aceitariam ― ou só os mais imbecis. Chegou a hora de reunir o bando.

Título original: The Kings of the Wyld
Editora: Trama
Autor: Nicholas Eames
Tradução: Regiane Winarski
Gênero: Fantasia
Nota: 5


3 comentários:

  1. Olá
    A editora trama vem arrasando em suas publicações... sempre me deparo com obras interessantíssimas!
    Adorei essa mistura medieval com humor e sarcasmo... acho que tem tudo pra me agradar essa leitura.
    Bjo

    http://coisasdediane.blogspot.com

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  2. Oi!
    Já tinha visto a capa desse livro no Instagram, mas nem fui atrás da premissa dele por achar que se tratava de uma fantasia medieval bem séria (na melhor das hipóteses épica também), mas já foi parar na wishlist por conta de ter um humor que lembra Monty Python.

    Beijão
    https://deiumjeito.blogspot.com/

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  3. Anônimo3.3.22

    Livro divertido d+! adorei a proposta e a resenha..

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