Em 1816, quatro grandes escritores da era gótica se reuniram numa noite tempestuosa, e histórias clássicas nasceram dos demônios que cada um deles carregava. 200 anos depois, uma empresa reúne quatro jovens de talentos promissores para recriar essa noite. O problema é que os terrores dos Jovens Malditos parecem vívidos demais.
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A Fundação Diodati convida quatro jovens talentos a recriar a viagem a uma mansão na Suíça que inspirou grandes clássicos como Frankenstein e O Vampiro. Eve, Ren, Griffin e Hal foram escolhidos a dedo depois de enviar suas cartas listando por que deveriam ser escolhidos para participar do projeto.
Agora, eles estão isolados na mansão onde Mary Shelley, Percy Shelley, Polidori e Lord Byron se reuniram 200 anos atrás e foram inspirados a criar grandes obras da literatura gótica. Porém, não parecem estar sozinhos.
Depois de uma noite tempestuosa onde leem histórias de terror, os quatro começam a ser atormentados por visões que parecem conectadas com os seus maiores e mais tenebrosos segredos. O problema é que essas visões parecem cada vez mais vívidas e reais, como se seus monstros estivessem ganhando vida naquele lugar isolado.
Jovens Malditos, que a P21 mandou pra gente em cortesia, me ganhou logo nas primeiras páginas ao apresentar seus protagonistas através da sua criatividade e do jeito único com que encaram o mundo.
Os capítulos de Eve são bastante narrativos, sendo ela muito apaixonada por literatura (e literatura gótica, principalmente). Os de Griffin são diretos e ritmados, tal qual suas músicas. Os de Ren são uma mescla da personalidade eufórica dele tanto quanto seu olhar analítico sobre tudo e todos ao seu redor, porque ele é um ator. Por fim, Hal tem capítulos semelhantes a roteiros de filmes, porque é um cinéfilo apaixonado por terror.
Através dessas quatro figuras, somos apresentados à villa e ao programa da Juventude Gótica, que a empresa Diodati busca financiar para vê-los alçar grandes feitos através de suas criações, como foi com os Poetas Mortos do passado.
Mas, numa noite tempestuosa, depois de ler um livro de terror, pequenas bizarrices desse lugar isolado se tornam um padrão cada vez mais presente e inevitável. Os jovens passam a serem perseguidos pelo que parecem seus piores demônios; rostos e monstros do passado que cada um deles quer enterrar.
O clima de Jovens Malditos me lembrou bastante os filmes de terror trash que o Hal tanto gosta de citar, mas sem a parte sanguinolenta. Até tem, mas é bem dosado e aparece exclusivamente num dos POVs, combinando com o clima do que está acontecendo com determinado personagem.
Não é uma história para dar medo ou arrepiar a espinha, ainda que flerte com momentos de terror ao colocar sombras espreitando os jovens, pesadelos bizarros ganhando vida e a sensação de que não estão sozinhos, onde quer que estejam, mas o que esse livro mais me passou foi justamente aquele clima que permeia obras góticas: o mal está ali, mas está principalmente dentro de nós.
Os meus favoritos foram Griffin e Eve, mais complexos do que suas primeiras aparições dão a entender. Um garoto marcado pelo luto e por uma perda abrupta, e uma garota que foi trazida de volta dos mortos depois de uma cirurgia arriscada. Um que quer sumir, outra que quer existir.
E, como a grande apaixonada pela vida da Mary Shelley que sou, foi bom demais acompanhar uma personagem tão espelho da escritora.
Eu gostei do Hal, mas achei ele presunçoso além da conta e acabei mais me irritando com os capítulos dele do que qualquer coisa. E o Ren... eu entendo os artifícios da narração dele, mas minha nossa senhora, toda vez que aparecia uma palavra inteira em letra maiúscula me torrava a paciência.
Jovens Malditos também lida de maneira curiosa com o mistério que permeia a villa onde residiram os Poetas Mortos, e agora os jovens artistas residem. Eu achei que o livro ia caminhar em outra direção e fui pega de surpresa pela resolução do causo. Gostei de como a autora escolheu abordar não apenas os traumas, mas as respostas a eles.
O fim tem um gancho para a continuação, como várias histórias de terror, mas se sustenta como um encerramento para quem, assim como eu, adora um finalzinho aberto. Ele resolve muitos problemas, deixa outros para serem resolvidos, mas eu fiquei satisfeita com o que li.
A tradução de Sofia Soter ficou excelente, com ótimas adaptações para o português. Também gostei demais da diagramação do livro, que faz bom uso dos artifícios de cada capítulo para deixar cada POV único.
Jovens Malditos é uma ótima recomendação para quem curte terror com jovens fugindo dos seus problemas. Também é uma excelente homenagem aos clássicos góticos, trazendo o clima que permeia as histórias para habitar as páginas desses capítulos levemente macabros e altamente criativos.
Sinopse: Em uma noite sombria e tempestuosa de 1816, o "ano sem verão", quatro jovens poetas se reuniram na Villa Diodati para um desafio: escrever histórias de terror. E assim nasceram dois clássicos da literatura gótica: Frankenstein e O vampiro. Duzentos anos depois, a Fundação Diodati convida quatro jovens artistas – Eve, Griffin, Hal e Ren – para recriar aquele encontro e conceber suas próprias histórias. Mas o que começa como uma oportunidade dos sonhos logo se transforma em pesadelo. Visões perturbadoras, aparições inexplicáveis e um assassinato marcam a estadia. Aos poucos, os quatro começam a desconfiar de que a Fundação esconde segredos obscuros — assim como cada um deles.
Título original: Young Gothic
Autoria: M.A. Bennett
Editora: Plataforma21
Tradução: Sofia Soter
Gênero: Fantasia
Nota: 4,5

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