A Original, de Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal, publicado por aqui pela Editora Trama - que nos cedeu um exemplar para resenha - é um livro curto sobre um futuro não tão distante onde não podemos acreditar em tudo que vemos.
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A leitura de A Original foi meu primeiro contato com a escrita do Sanderson e também de Kowal, então eu não sabia muito bem o que esperar. Especialmente porque ele é muito menor do que a maioria dos livros do Sanderson que eu vejo e também de um gênero completamente diferente do que eu conhecia sobre Kowal.
Então tentei chegar na leitura sem muitas expectativas e encontrei um enredo que conversa muito com algumas coisas que vivemos atualmente.
No mundo de A Original, os seres humanos fazem uma espécie de "upload" da própria consciência na nuvem, o que lhes permite viver para sempre. Isso porque, é possível "importar" essa consciência para um clone, caso algo aconteça com seu corpo original.
Mas, como sempre, alguns seres humanos não acreditam nessa "vida eterna" e muito menos em disponibilizar sua consciência em um local que pode ser acessado pelo Governo - ainda que, teoricamente, existem legalidades que impedem isso.
No meio disso tudo conhecemos nossa protagonista, Holly, que acorda em um hospital e descobre que é uma Réplica Provisória, criada para caçar e encontrar sua original. Um processo que não é comum, mas que é usado em últimas instância para pegar assassinos.
Agora, ela tem sete dias para encontrar sua original e eliminá-la, para que possa assumir seu lugar.
No entanto, sua original é acusada de matar seu marido. O que simplesmente não faz sentido. Os dois se amavam muito. Ela não era uma pessoa violenta. Era uma artista. Mas o governo insiste que é verdade.
O que faz com que Holly comece a se perguntar: o que sua original sabe que ela não sabe? Há um buraco de duas semanas em sua consciência. O que aconteceu nessas duas semanas para que ela fizesse aquilo? E se, na verdade, ela estiver sendo incriminada por um dos grupos terroristas que quer acabar com a tecnologia dos nanitos e a possibilidade de fazer upload de consciências humanas?
A jornada de Holly a levará a cantos e situações que ela nunca imaginou passar, além de descobrir, aos poucos, que não pode confiar cegamente no que o governo lhe diz. Mas também precisa desconfiar de si mesma.
A Original tem uma premissa interessantíssima. Sanderson e Kowal criaram um universo tão plausível com a tecnologia dos naninos e como ela permite não só a vida eterna, mas com que as pessoas controlem a aparência das coisas a sua volta e até mesmo escolham ignorar certos aspectos (como as máquinas de limpeza urbana e as pessoas que escolheram viver fora do sistema) dentro de seus "temas" pessoais, como se trouxéssemos as configurações das nossas redes sociais para o mundo real.
Gostei demais dessa ideia. E, ao mesmo tempo que é uma das minhas coisas preferidas na história, me leva a que eu menos gostei: a premissa é muito boa e cheia de possibilidades. E foi tão pouco explorada.
Apesar de ter gostado da leitura, que também foi muito rápida, sinto que ela podia ter sido melhor explorada. Ao mesmo tempo que ela se ateve a clichês, ela não se comprometeu por completo com eles. O que deixou um pouco a desejar do fim.
A Original foi, pra mim, uma história mediada. Uma premissa que vai ficar comigo, mas um desenvolvimento meio esquecível. Acredito que vale a pena a leitura pra construir uma bagagem tanto em suspense quanto em ficção científica. Mas confesso que fiquei um pouco decepcionada com a leitura.
Talvez um leitor mais aficionado de Sanderson consiga aproveitar melhor a leitura do que eu.
Sinopse: A tecnologia de nanitos injetáveis é a força vital que corre pelas veias de todo indivíduo que deseja experimentar o mundo através da lente do seu próprio “tema”. Embora a morte por ferimentos mortais ainda seja possível, a vida torna-se mais fácil em uma sociedade em que a automação e a igualdade de renda permitem que as pessoas se dediquem às suas paixões em vez do trabalho tradicional. Estações de Renovação são oferecidas a todos os cidadãos que cumprem a lei para check-ins semanais, que realizam reparos vitais em troca da privacidade pessoal. Mas o que acontece com aqueles que deixam de comparecer, com aqueles que ousam resistir à imortalidade e correm o risco de serem “editados” sob o olhar de um sistema governamental de vigilância que extrai identidades? Quando Holly Winseed acorda em um quarto de hospital, com a memória comprometida e uma nova identidade imposta, uma equipe de agentes do governo não perde tempo em declarar seu objetivo. Com a missão de se infiltrar e derrotar o grupo terrorista ICON, os agentes dizem a Holly que agora ela é uma Réplica Provisória e tem uma semana para encontrar e matar sua Original pelo assassinato de seu marido, Jonathan. Se tiver sucesso, assumirá o lugar da Original na sociedade. Se falhar, sua vida chegará ao fim. O progresso de Holly é monitorado por um contato designado, que lhe fornece informações enquanto ela enfrenta o mundo vazio e mecanizado ao seu redor, descobrindo que outras pessoas veem a vida através do tema que escolheram. Com suas novas habilidades de combate e dedução implantadas, Holly enfrenta tanto os ataques dos terroristas quanto as dúvidas sobre sua própria confiabilidade, à medida que as pistas a conduzem até sua Original ― e até a verdade sobre Jonathan. No final, um corpo permanece e outro vai embora. Embora as perguntas persistam, uma coisa é certa: a vida nunca mais será a mesma.
Titulo original: The Original
Autoria: Brandon Sanderson e Mary Robinette Kowal
Tradução: Ulisses Teixeira
Editora: Trama
Gênero: Suspense | Ficção científica
Nota: 3

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