Resenha: Se não podemos viajar à velocidade da luz - Kim Choyeop - Queria Estar Lendo

Resenha: Se não podemos viajar à velocidade da luz - Kim Choyeop

Publicado em 3 de ago. de 2026

Resenha: Se não podemos viajar à velocidade da luz - Kim Choyeop

Lançamento recente da Editora Aleph, que cedeu o exemplar em cortesia, Se não podemos viajar à velocidade da luz é uma ficção científica da autora sul-coreana Kim Choyeop. Aclamado pela crítica, vencedor de inúmeros prêmios literários, convida quem está lendo a viajar por diferentes histórias que exploram o futurismo e os sentimentos.

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O livro é uma coleção de contos, alguns inéditos, outros que já fizeram parte de concursos literários ou antologias da mesma temática. Achei muito legal que a editora citou exatamente onde houve publicação e quais estavam chegando pela primeira vez através dessa publicação em questão.

Cada um deles convida o leitor a conhecer um futuro onde tudo é possível. De viagens pelo universo a conversões físicas a ciborgue, extravio de consciência e lembranças humanas, questões de simbiose e conversas com novos mundos. Tudo isso usando de uma sensibilidade e emoção tão tocante que é impossível não se emocionar com as histórias contadas aqui.

A autora constrói atmosferas tão críveis em poucas páginas que fisga a nossa atenção bem rápido, mesmo quando acabamos de deixar um universo para seguir até outro. A criatividade vai longe imaginando esses futuros, mas o cuidado dela está principalmente nas personagens que protagonizam cada uma delas.

Resenha: Se não podemos viajar à velocidade da luz - Kim Choyeop

Eu fiquei encantada com o jeito da autora de descrever, com sutileza e sucintamente, um futurismo tão encantadoramente inventivo. Também adorei cada uma das histórias justamente pelo foco na humanidade. São futuros esperançosos, onde há principalmente união para a construção dessa realidade onde tudo é possível.

Se algum dia voltasse a encontrar sua heroína espacial, diria a ela que a paisagem do outro lado do universo era bem bonita.

Se não podemos viajar à velocidade da luz já abre o livro com uma interação curiosa entre uma senhora em uma estação espacial abandonada e um rapaz que fica muito interessado em entender por que ela está ali sozinha. Espectro explora a jornada de uma mulher sozinha em um planeta alienígena, e os relatos de interação com uma raça desconhecida tão rica em cultura e curiosidades.

Hipótese da simbiose traz uma questão interessante sobre o contato com alienígenas de maneiras que jamais esperaríamos. Como encarar algo que aparentemente está ali desde sempre? Por que os peregrinos não retornam? foi uma das mais emocionantes, questionando a construção do que é perfeito e do que é essencial.

Resenha: Se não podemos viajar à velocidade da luz - Kim Choyeop

Emoção material foi o mais Black Mirror do livro todo, mas sem a questão do terror psicológico. Nesse conto, uma empresa começou a fabricar emoções e vendê-las em formato material; um jornalista começa a se questionar sobre a veracidade daquilo, mas também a questão do por que as pessoas comprariam emoções ruins.

O sentido só existe dentro de um contexto. Mas, às vezes, parece que certas pessoas não precisam de lágrimas com sentido, apenas das lágrimas.

Achados e Perdidos foi talvez a minha favorita. Fala de maternidade, de materialidade e de existência de uma maneira tão emotiva e sensível. Na história, a mãe da protagonista, arquivada numa biblioteca digital junto a outras Mentes, é extraviada. Minha heroína espacial traz questão sobre idealização, minorias e também sobre família, um tema recorrente na maioria dos contos, mas mais intenso nesses dois últimos.


A edição da Aleph está linda demais. Adorei a capa nacional, a tradução de Juliane Ferreira da Silva Santos ficou impecável e muito bem adaptada.

Para você, o tempo pode parecer algo valioso demais para se perder assim, mas, para uma velha como eu, já não importa.

Se não podemos viajar à velocidade da luz foi uma leitura agradável em todos os sentidos. Uma espécie de ficção científica aconchegante que nos convida a olhar para o futuro através de revolucionismos, mas principalmente através das pessoas.

Sinopse: Fenômeno da literatura coreana com milhares de cópias vendidas, Kim Choyeop une rigor científico e uma sensibilidade ímpar nesta coletânea premiada. Sete contos que exploram a solidão, o luto e a busca por conexão em um futuro tecnológico, dando voz aos marginalizados em uma jornada profunda sobre o que nos torna essencialmente humanos. Em um futuro onde a tecnologia redefine as fronteiras da biologia e do espaço, o que acontece com aqueles que ficam para trás? Com a precisão e sensibilidade, Kim Choyeop reúne sete contos que investigam a solidão, o luto e a busca por conexão em um universo vasto. De uma cientista que espera décadas por uma viagem impossível a mundos onde a memória é colecionável, esta coletânea explora como o progresso técnico muitas vezes ignora a fragilidade humana e as minorias. Se não podemos viajar à velocidade da luz é uma jornada sobre as fissuras do cotidiano e a beleza das conexões improváveis. Com uma escrita sensível e inventiva, a autora mostra por que é um dos principais nomes da ficção científica contemporânea.  Leitura indispensável para quem busca, na imensidão das estrelas, um pouco mais de compreensão sobre o outro.

Título original: 우리가 빛의 속도로 갈 수 없다면
Autora: Kim Choyeop
Tradução: Juliane Ferreira da Silva Santos
Editora: Aleph
Gênero: Ficção-científica
Nota: 5

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