Resenha: Vivian Contra o Apocalipse


Resenha: Vivian Contra o Apocalipse

Mundo apocalíptico ou uma perigosa realidade? Foi isso que eu me perguntei durante todas as 281 páginas de Vivian Contra o Apocalipse, publicado esse semestre pela editora Agir Now.

Sinopse: Vivian Apple tem 17 anos e mal pode esperar pelo fatídico “Arrebatamento” — ou melhor, mal pode esperar para que ele não aconteça. Seus devotos pais foram escravizados pela Igreja faz tempo demais, e ela está ansiosa para que voltem ao normal. O problema é que, quando Vivian chega em casa no dia seguinte ao suposto Arrebatamento, seus pais sumiram e tudo o que restou foram dois buracos no teto… Vivian está determinada a seguir vivendo normalmente, mas quando começa a suspeitar que seus pais ainda podem estar vivos, ela percebe que precisa descobrir a verdade. Junto com Harp, sua melhor amiga, Peter, um garoto misterioso que tem os olhos mais azuis do mundo e informações sobre o verdadeiro paradeiros dos seguidores da Igreja (ou é o que ele diz), e Edie, uma Crente que foi “deixada para trás”, os quatro embarcam em uma road trip pelos Estados Unidos. Mas, depois de atravessar quilômetros de eventos climáticos bizarros, gangues de Crentes vingativos e um estranho grupo de adolescentes auto-intitulados os “Novos Órfãos”, Viv logo vai perceber que o Arrebatamento foi só o começo.

O história se passa nos nossos dias, em um Estados Unidos assustado por drásticas mudanças climáticas, doenças e crise econômica, que acaba virando-se para o único lugar onde conseguem encontrar esperança de um futuro: a Igreja Americana, uma nova religião que prega a submissão da mulher, o temor a Deus, a importância da família tradicional e, acima de tudo, o capitalismo.

Universo, penso. Faça com que eu seja menos dócil, menos medrosa. Universo, me transforme na heroína da minha própria história.

A revista Rolling Stone diz, logo na capa, que é um livro " delicado e poderoso" e eu não poderia concordar mais. Vivian é uma garota Descrente que, após o dia do arrebatamento - o dia em que o profeta da Igreja Americana previu que Deus levaria os bons crentes para o Reino dos Céus - encontra sua casa deserta e seus pais não estão em lugar algum. Aparentemente, eles foram arrebatados e agora ela precisa aprender a viver sem eles.

Resenha: Vivian Contra o Apocalipse
Resenha: Vivian Contra o Apocalipse

Porém, de acordo com a Igreja, o mundo deve acabar em algum momento dos próximos seis meses e Vivian, como uma descrente, luta com suas dúvidas. O mundo vai mesmo acabar? Vai ter algo após setembro? O que foi o arrebatamento?

Cheia de dúvidas e uma intrínseca vontade de fazer alguma coisa e não apenas esperar o apocalipse iminente, Vivian faz a mala e pula no carro com sua melhor amiga, Harp; Peter, um garoto que parece ter informações relevantes sobre a Igreja America e Edie, uma Crente Deixada Para Trás, partindo em uma viagem pelos Estados Unidos até a Califórnia, onde acredita encontrar as respostas que precisa. Porém, ao longo do caminho ela acaba esbarrando com respostas para perguntas que ainda não havia feito e o mundo como ela conhecia começa a ruir - e isso não tem nada a ver com o apocalipse.

Não acredito em ódio. Não acredito em dinheiro. Não acredito em Deus. Não acredito que seja tarde demais.

Se você acredita que nenhum YA é capaz de discutir assuntos relevantes e levantar questões para refletir, você realmente deveria ler Vivian Contra o Apocalpse - se você acha que eles podem, também deve ler, porque é exatamente o que você vai encontrar.

Resenha: Vivian Contra o Apocalipse


Katie Coyle combinou a leveza do auto descobrimento adolescente em meio a uma viagem através do país com questões políticas e religiosas completamente relevantes para o momento que vivemos hoje em dia, discutindo o perigo e as consequências de se misturar política e religião.

No oriente médio, diversos países vivem sob a Sharia - a lei Islâmica - e mesmo no Brasil, temos de lidar com uma bancada religiosa. Até onde isso é liberdade de expressão e até onde isso pode representar um risco?

Resenha: Vivian Contra o Apocalipse

No livro, os Estados Unidos está tomado pelo pânico, acreditando cegamente em tudo que a Igreja America diz e, quando o dia do Arrebatamento chega e muitos deles são deixados para trás, a culpa recaí sobre aqueles Descrentes e o perigo é iminente.

Eu me pergunto se coragem é isso: adrenalina mais amor mais estupidez absoluta.

No começo é fácil dividir o país em duas facções, os Crentes e os Descrentes, mas quanto mais lemos, mais percebemos como essa linha que os separa é tênue e nos leva a questionar se qualquer um com uma crença em Deus pode ser visto como uma ameaça. Ao longo do livro a história parece cada vez mais com o que estamos vendo acontecer no mundo e passa uma certa sensação de alerta: será que um dia chegaremos lá?

Foi muito gratificante pegar um livro que conseguisse dosar exatamente a leveza e a seriedade dos temas abordados, sem deixar pontas soltas e puxando-nos para a realidade. Vivian Contra o Apocalipse pode ser considerado uma distopia? Ele é tão real que acho difícil enxergá-lo no mesmo patamar de Jogos Vorazes, Divergente ou Estilhaça-me.

Resenha: Vivian Contra o Apocalipse

Outra coisa que me deixou bastante feliz foi a forma com a qual a Katie abordou os relacionamentos no livro. Embora tenha um romance - que chega a direcionar os acontecimentos do segundo livro - também temos a amizade improvável e inquebrável entre Harp e Viv. Duas garotas badass que viram mais do que seria recomendado e que lutam com unhas e dentes para sobreviver nesse mundo louco a espera do apocalipse.

As duas são completos opostos e mais de uma vez Vivian nota como elas não teriam se tornado amigas caso o mundo não estivesse morrendo: Harp é extrovertida, louca e arruaceira; Vivian é a boa menina, tímida e centrada. Juntas elas se completam.

Preciso dizer, aliás, que a Viv acabou de se tornar uma das minhas personagens preferidas! Ela é foda, de verdade - o Peter mesmo diz - e ela é tão real! Ela é eu, é você, é todos nós se estivéssemos enfrentando o apocalipse. A Vivian tem medo e não sabe o que fazer no começo. Por vezes ela quer apenas sentar e deixar que os outros cuidem dela, afinal de contas, ela é a criança. Mas ela também tem a vontade de fazer algo, que é tão inerente aos adolescentes. Ela não quer morrer sem lutar, não quer morrer quando nem começou a viver.

Harp, se ficarmos aqui, nós é que seremos as dóceis. Não é? Eu não quero mais ser dócil. Quero ser implacável.

Estamos tão acostumadas com heroínas badass, das garotas que não pensam duas vezes antes de entrar em ação, que por vezes somos capazes de acreditar que é assim que agiríamos no lugar delas. Mas não é e a Katie soube tocar nessa ferida muito bem.

A Viv não tem treinamento, a Viv nunca lutou, não usa armas, não tem poderes especiais. Ela é só uma garota atravessando o país com os amigos em busca dos pais e com nada mais do que um código de área da Califórnia como palpite para encontrá-los. Acho que a Viv é a definição de coragem, de sentir medo e mesmo assim fazer o que precisa ser feito. Me identifiquei mais com ela do que com qualquer outra heroína dos últimos tempos.

Resenha: Vivian Contra o Apocalipse

O livro também é curtinho e eu li ele bem rápido, fazendo diversas marcações. Ele foi lançado agora em junho, se não me engano, pela Editora Agir Now e a continuação, Vivian Versus America ou Vivian Apple Needs a Miracle saiu dia 27 de agosto lá fora. Estou super empolgada pela continuação - quer dizer, aquele final precisa de uma continuação! - e esperando ansiosamente pelo anúncio da Agir Now.

Esse é o livro de estreia da Katie Coyle e mal posso esperar pelo que ela vai lançar daqui para frente. Que continuem sendo histórias leves e nostálgicas, que abordem temas relevantes para o mundo em uma narrativa tão compatível com os adolescentes.

E eu também espero que todos vocês tenham a oportunidade de ler ele muito em breve - se é que ainda não o fizeram!

Título Original: Vivian Apple at The End of The World ou Vivian Versus the Apocalypse (Vivian Apple vol. 1)
Autora: Katie Coyle
Editora: Agir Now
Gênero: YA - Distópico?
Nota: 5

Saiba Mais: A autora

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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Fiquei MUITO interessada no livro.
    Pela capa eu não daria nada por ele rsrs

    Já adicionei a minha lista de leitura <3 <3 <3


    òtima resenha.

    Beijos,

    Gi.

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  2. Oi Bibs!
    Esse livro é maravilhoso né?
    Li ele nos dois últimos dias de 2014 e nunca gostei tanto de um livro assim. A crítica social que ele faz é sem comparação, eu fiquei boquiaberta!
    Não achei que nenhum editora fosse ter coragem de trazê-lo para o Brasil (li primeiro em inglês), mas quando a agir now trouxe, pensei “respeito essa editora!”
    Adorei sua resenha, muito completa e explicadinha!
    Acho que você vai adorar a continuação!
    Beijos!

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