Resenha: Carta à rainha louca

  • 09:00
  • 2 de ago. de 2019
  • Resenha: Carta à rainha louca

    Lançamento recente da editora Alfaguarda - que nos cedeu um exemplar para resenha - Carta à rainha Louca, de Maria Valéria Rezende, traz a história de Isabel. Confinada em uma casa de recolhimento durante a colonização do Brasil, a mulher escreve para a rainha Maria I de Portugal - que, como ela, é tida por louca - para contar suas mazelas na esperança de conseguir ajuda.

    Sinopse: Mesclando linguagem histórica e uma crítica profundamente atual, Maria Valéria Rezende cria um romance sem par na literatura contemporânea, no qual mulheres mostram sua força frente às mais impensáveis repressões. Olinda, 1789. Isabel das Santas Virgens, presa no convento do Recolhimento da Conceição, escreve à rainha Maria I, conhecida como a Rainha Louca. Em suas cartas, ela, tida por muitos como também lunática, conta os destemperos cometidos pelos homens da Coroa – e por aqueles que galgaram tal posto – contra mulheres, escravizados e todos os que se encontravam mais vulneráveis. Por meio dos tormentos passados por ela e por sua senhora Blandina, nossa narradora expõe o pano de fundo da colonização brasileira e da situação da mulher que ousava desafiar. Com uma pesquisa histórica ímpar e usando o vocabulário próprio do setecentos mesclado a uma linguagem moderna, Maria Valéria Rezende recria com maestria a história de duas mulheres em um período conturbado do passado brasileiro. Como promete à rainha, Isabel conta “toda a verdade sobre o que em Vosso nome se faz nestas terras e a mim me fizeram.”

    Isabel, a narradora e protagonista de Carta à Rainha Louca, é uma mulher branca e pobre, portanto, uma pessoa que não serve para o casamento - já que não tem dote - e nem para ser escrava - já que é branca. O que a torna, para a sociedade da época, invisível. Criada no engenho onde o pai era capataz, ela acaba se tornando companheira da filha do dono do lugar, Blandina, e a acompanha para sua clausura forçada no convento de Santa Clara do Desterro, na Bahia.

    Quando começa sua narrativa, no entanto, Isabel está detida no Recolhimento da Conceição, em Olinda. Um lugar similar a um convento que faz as vezes de prisão feminina, algo que não existia na época. Trancada lá, sem nem mesmo ver a luz do dia por anos, e mais tarde esquecida pelas autoridades portuguesas - que deveriam deportá-la para ser julgada em Portugal - Isabel finalmente decide tomar uma atitude.

    Resenha: Carta à rainha louca

    É então que ela começa a escrever uma carta à rainha Maria I, por muitos chamada de louca - assim como Isabel - para contar-lhe sobre os crimes dos quais é acusada, suas dores e a negligência das autoridades para com ela e toda a população do Brasil colônia.

    Carta á rainha Louca divide-se em quatros partes (anos) que vão de 1789 à 1792 e, enquanto a narradora nos conta sobre anos de infortúnios e mesmo todas as dificuldades que teve para dar início aquela carta (papel e tinta eram itens de luxo na colônia), acompanhamos a vida no Brasil e as injustiças cometidas não só contra as mulheres, mas também contra os negros.

    Resenha: Carta à rainha louca

    Percebe-se que é um livro com extensa pesquisa - e não se espera menos de uma autora como Maria Valéria Rezende, nome consagrado na literatura nacional. E não só pelos fatos e figuras históricas entremeadas na história, mas também pela própria narrativa que, ao mesmo tempo em que emula aquela que encontramos nos clássicos da época, tenta se adaptar para o leitor moderno, encontrando um meio-termo muito bem-vindo.

    Além disso, um dos pontos que mais gostei em Carta à Rainha Louca foram as rasuras feitas por Isabel ao longo de sua carta, sempre que encontrava-se criticando o poder exacerbado da igreja católica e a própria coroa portuguesa.

    Foram essas pequenas rasuras que mais me ganharam, ao mostrar a visão crítica de Isabel quanto a posição das mulheres, o descaso das autoridades, a hipocrisia da igreja, entre outros comentários certeiros e bastante modernos.

    Resenha: Carta à rainha louca

    No fim, para mim, Carta à Rainha Louca pareceu aquele livro que você leva mais tempo para ler, embora seja pequeno, mas que no fim vale a pena - quase como foi minha saga com Filha da Fortuna no ano passado.

    Aliás, uma notinha de rodapé para essa capa MARAVILHOSA feita pelo estúdio Bogotá. Eu sou simplesmente apaixonada por ela e foi o que mais me chamou a atenção quando vi o livro.

    Título original: Carta à Rainha Louca
    Autora: Maria Valéria Rezende
    Editora: Alfaguarda
    Gênero: Ficção histórica
    Nota: 4
    SKOOB


    1. Olá, Bianca.
      Assim olhando a capa sem pegar na mão eu não gostei muito não hehe. Mas achei a história muito interessante. É o tipo de livro que gosto bastante de ler e quase a gente não vê falar. Vou anotar aqui para uma futura leitura.

      Prefácio

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    2. Oi Bianca, eu não conhecia a obra, mas parece tão densa, é um tipo de livro que eu realmente gostaria de ler!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    3. Oi Bianca,
      Não conhecia o livro, primeira vez que o vejo e fiquei animada.
      Acho que seria uma leitura demorada, mas proveitosa para mim.
      E eu também não gostei muito da capa, rs.
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com

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    4. Oi Bibs!
      Ficção historica nao e muito meu forte. Nao me interesso muito com temas parecidos, maa que bom a leitura agradou.

      Abraços
      Emerson
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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