2026 está sendo o ano de revisitar histórias que li há tanto tempo que já me esqueci delas. It: A Coisa, um clássico moderno de terror escrito por Stephen King, é uma delas. Nesse livro, acompanhamos uma geração de crianças, e então adultos, tentando derrotar um mal que parece viver no coração da cidade onde cresceram, devorando vítimas amedrontadas a cada 27 anos.
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Em 1958, na cidadezinha de Derry, no Maine, sete crianças veem seus destinos se entrelaçar quando estranhos assassinatos começam a ocorrer pelas ruas. O irmãozinho de Bill, George, é a primeira vítima daquele ano; encontrado sem um braço perto de um bueiro, é com ele que essas estranhas mortes começam a acontecer, num ciclo cada vez mais macabro e violento.
E o que quer que as esteja causando não é humano. As crianças sabem disso porque, uma a uma, elas começam a ser perseguidas pela Coisa, que usa seus piores medos para infringir terror neles. Aos poucos, as crianças percebem que a única maneira de sobreviver é enfrentando esse mal terrível.
Em 1985, vinte e sete anos depois, memórias desse incidente atravessam cada um dos sete, agora adultos. E eles percebem que o que quer que tenha acontecido naquele verão, a Coisa não foi derrotada. Ela está de volta, mais furiosa, mais violenta, e apenas eles podem impedi-la, de uma vez por todas.
Talvez aqui não seja minha casa, nem nunca foi. Talvez meu lar seja o lugar para onde tenho que ir hoje. O lar é o local onde, quando você vai pra lá, tem que finalmente encarar a coisa no escuro.
It: A Coisa é uma senhora história com suas mais de 1100 páginas. E ainda que eu tenha achado que escorrega ali no final (um padrão do Stephen King, que ou escreve finais magníficos ou escreve os mais tenebrosos possíveis) ao apresentar umas escolhas bem ruins para a resolução (já vou comentar sobre a cena nos túneis) é um livro muito bom. Um terror muito cativante. Não a toa se tornou um clássico moderno do gênero.
A história dos Otários é emocionante porque desenvolve justamente aquilo que mais encanta em histórias do tipo: a amizade e a força dela contra um mal maior. Eu sou uma grande fã do poder da amizade salvando o dia, e It: A Coisa é o caso de uma trama bem desenrolada a respeito disso.
Bill, Beverly, Ben, Mike, Stan, Eddie e Richie são personagens muito carismáticos. O King tem mão cheia para escrever personagens cheios de personalidade, de trejeitos únicos e de vida, principalmente. É fácil se encantar por cada uma dessas crianças e torcer para que tudo dê certo na sua luta contra um mal que parece tão absoluto.
A versão adulta deles é igualmente encantadora. Eles carregam seus traumas sem sequer saber que são traumas, tendo perdido as memórias sobre Derry ao se mudar de lá. Mike, que permaneceu na cidade, é a âncora que os traz de volta para os horrores e para a luta, com uma presença ímpar na história como aquele que resistiu, estudou e se preparou para o que viria atrás deles 27 anos depois.
Derry está à frente, e tem alguma coisa em Derry que deveria estar morta há 27 anos, mas de alguma forma não está.
Um dos pontos que me incomodou na história foi o protagonismo do Bill. Eu entendo ele como o líder dessa pequena gangue de otários, mas o livro exagera a importância dele, dando ao personagem ares de messias que acabam saltando demais nas páginas.
Parece que todos os personagens dependem única e exclusivamente dele; mais do que uma amizade, é um desespero emocional. Se o Bill não aprova, se o Bill não ordena, se o Bill não faz, eles não vão atrás. Fiquei com um pouco de preguiça (e acho que a adaptação do livro fez muito bem em transformar essa idolatria em uma liderança mais suave).
Os outros Otários têm seus grandes momentos, tanto no passado quanto no presente, quando confrontam seus maiores medos. Cada personalidade distinta fortifica o que eles são em conjunto. Beverly e sua bravura, Ben e sua inteligência, Richie e seu humor, Eddie e suas precauções, Stan e sua racionalidade, Mike e sua sabedoria, Bill e sua liderança. Eles funcionam bem sozinhos, mas funcionam ainda melhor juntos. É por isso que a Coisa os persegue.
A Coisa é uma ameaça cada vez maior e mais aterrorizante. O livro não deixou com medo, mas trouxe momentos de tensão muito bem trabalhados pela narrativa. As cenas em que ela assombra as crianças, transformando-se nos piores pesadelos que poderiam conceber, são sempre desesperadoras. E é legal acompanhar como cada Otário lida com seus medos; seja pela fuga, pela coragem ou pela razão.
It: A Coisa é um livro grande, mas boa parte dele não parece gigantesca porque flui muito bem. Os capítulos dão vida a uma Derry tão realista que é difícil acreditar que não exista, tamanhos detalhes e peculiaridades que o autor coloca na cidade, transformando-a para além de um palco, em personagem.
E quando os sonhos viram realidade, eles fogem ao poder do sonhador e se tornam coisas mortais por si só, capazes de ação independente.
Os escorregões do livro começam ali nas 200 páginas finais, quando o embate se aproxima. Dá pra sentir que o King não dosou a mão (e o bom senso) em alguns momentos, tal qual a infame cena das crianças nos túneis. A gente sabe que o homem enchia o c* de cocaína na época, mas misericórdia que esse momento do livro é a maior prova de que usar drogas não faz bem, galera!
O fim de It: A Coisa também tem aquela assinatura drástica do King, que eu não gosto muito, quando ele inventa demais para resolver o que foi apresentado. Não é um fim satisfatório, e cansa depois de 50 páginas rodando na mesma situação. Por sorte, o resto do livro compensa, e o encerramento da história dos Otários deixa um gosto agridoce pelos sacrifícios e pelo heroísmo.
A edição da Suma é um monstro em tamanho, mas a diagramação é confortável. A tradução da sempre incrível Regiane Winarski também funciona bem demais.
It: A Coisa é aquele tipo de história tensa e carismática que mostra a força da união entre amigos e como mal algum tem poder frente ao amor e à inocência.
Sinopse: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry.
Título original: It
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Tradução: Regiane Winarski
Gênero: Terror
Nota: 4

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