O Pistoleiro é o primeiro volume da série A Torre Negra, do Stephen King. Um clássico contemporâneo de fantasia e grandiosidade que começa singelo, acompanhando um homem que segue o rastro de um grande inimigo.
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O pistoleiro está atrás do homem de preto. É mais do que uma missão ou uma jornada de vingança, é parte da sua história. Tudo o que sabemos sobre os dois é o pouco que o pistoleiro divide com aqueles que cruzam o seu caminho.
Errantes perdidos num mundo devastado, solitário e estranhamente familiar. Um mundo onde governos não mais existem, onde cidades abandonadas em meio a desertos traiçoeiros dependem da boa vontade de quem vive nelas, onde pessoas desconfiam de qualquer forasteiro que apareça em seu caminho.
Esse primeiro volume da série A Torre Negra dita um tom interessante para a história que o Stephen King está começando a contar. Já completa, a série conta com sete volumes que vão crescendo em tamanho e história com o passar da jornada do seu protagonista. Mas é O Pistoleiro que nos apresenta, com simplicidade e maestria, o que está prestes a ser lido.
Confesso que demorei um pouco a engatar na leitura. Eu já comentei em várias resenhas do King que ou os livros dele me fisgam rápido e eu devoro as páginas, ou demoro um tempão pra conseguir me conectar. Tem raros casos de histórias dele que eu não gosto, e felizmente essa não foi uma delas.
Eu já tinha lido O Pistoleiro muitos anos atrás (muitos mesmo, na época do ensino médio). A atmosfera pós-apocalíptica que permeia esse estranho mundo onde o protagonista vive, o jeito como o autor apresenta as coisas através da narração de quem já viveu muito e está cansado da vida, a jornada em busca de um alvo impossível e maligno, tudo é muito interessante. Mas demora um pouco a realmente ficar interessante.
Quando fica, no entanto, é impossível parar. Os diálogos ditam um ritmo frenético, as descrições são ricas em detalhes e comentários perspicazes do pistoleiro, personagens que cruzam o seu caminho tornam as dinâmicas com ele muito instigantes.
O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.
Jake é um dos mais interessantes. Pela participação inusitada, pelo twist que a presença dele traz, e também por ser uma alma inocente nesse cenário violento e caótico. As interações do pistoleiro com o garoto trazem um ar de leveza ao caminho perturbador do protagonista.
O homem de preto é outra figura extremamente curiosa, justamente por não sabermos quase nada sobre ele. Tudo o que o livro nos conta é que ele é perigoso, e que está seguindo seu caminho, deixando um rastro para o pistoleiro encontrá-lo. Quando isso vai acontecer, e o que vai resultar disso, é a tensão do livro.
O homem que assinou Walter O'Dim é um monte de coisas, mas mentiroso não é uma delas.
Essa nova edição da Suma ficou muito bonita. Gosto demais da estética das novas capas, acho que vende essa fantasia sombria que tem elementos de faroeste, de pós-apocalipse e de algo que só o Stephen King seria capaz de criar. A tradução de Mário Molina também ficou excelente.
O Pistoleiro é um excelente primeiro capítulo na jornada de um homem marcado pela aspereza de um mundo violento, forçado a sacrifícios e a vivenciar terrores enquanto segue caminho rumo ao destino de um homem sombrio e de uma torre impossível.
Sinopse: "O Pistoleiro" apresenta ao leitor o fascinante personagem de Roland Deschain, último descendente do clã de Gilead, e derradeiro representante de uma linhagem de implacáveis pistoleiros desaparecida desde que o Mundo Médio onde viviam "seguiu adiante". Para evitar a completa destruição desse mundo já vazio e moribundo, Roland precisa alcançar a Torre Negra, eixo do qual depende todo o tempo e todo o espaço, e verdadeira obsessão para Roland, seu Cálice Sagrado, sua única razão de viver. O pistoleiro acredita que um misterioso personagem, a quem se refere como o homem de preto, conhece e pode revelar segredos capazes de ajudá-lo em sua busca pela Torre Negra, e por isso o persegue sem descanso.
Título original: The Gunslinger
Autor: Stephen King
Tradução: Mário Molina
Editora: Suma
Gênero: Fantasia
Nota: 4

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