Resenha: Se a Rua Beale Falasse

  • 09:00
  • 17.5.19
  • Resenha: Se a Rua Beale Falasse

    Se a Rua Beale Falasse, clássico americano de James Baldwin, foi republicado aqui no Brasil pela Companhia das Letras - que nos cedeu um exemplar para a resenha. O livro conta a história de Tish, uma jovem negra que emprega toda a família em sua luta para libertar o noivo, Fonny, de uma acusação injusta de estupro.

    Sinopse: Lançado em 1974, o quinto romance de James Baldwin narra os esforços de Tish para provar a inocência de Fonny, seu noivo, preso injustamente. Livro que inspirou o filme homônimo dirigido por Barry Jenkins, vencedor do Oscar por Moonlight. Tish tem dezenove anos quando descobre que está grávida de Fonny, de 22. A sólida história de amor dos dois é interrompida bruscamente quando o rapaz é acusado de ter estuprado uma porto-riquenha, embora não haja nenhuma prova que o incrimine. Convicta da honestidade do noivo, Tish mobiliza sua família e advogados na tentativa de libertá-lo da prisão. Se a rua Beale falasse é um romance comovente que tem o Harlem da década de 1970 como pano de fundo. Ao revelar as incertezas do futuro, a trama joga luz sobre o desespero, a tristeza e a esperança trazidos a reboque de uma sentença anunciada em um país onde a discriminação racial está profundamente arraigada no cotidiano. Esta edição tem tradução de Jorio Dauster e inclui posfácio de Márcio Macedo.

    Com uma narrativa fluida que transita entre o presente e o passado, Se a Rua Beale Falasse nos apresenta uma gama de personagens diversos unidos em um único propósito: provar a inocência de Fonny e reunir a família de Tish. Ao mesmo tempo, o livro nos mostra os conflitos de raça na Nova York pós-direitos civis.

    Meu interesse pela história começou quando ouvi falar do filme. Por isso, quando o livro ficou disponível para solicitação de parceria, decidi finalmente conhecer a história. A principio fiquei um pouco receosa, já que a sinopse dava a entender que se tratava de uma história sobre falsa denúncia de estupro e eu me recuso muitíssimo a compactuar com livros que fazem esse deserviço.

    O riso e o amor vem do mesmo lugar: mas pouca gente vai lá.

    Porém, assim que comecei a ler Se a Rua Beale Falasse já percebi que a história era completamente outra. Fiquei muito feliz de ver que em nenhum momento as personagens duvidam de que houve um estupro. Em vez disso, a história gira em torno do racismo sistemático e do ódio infundado que pavimentam a discriminação social.

    Resenha: Se a Rua Beale Falasse

    A forma como James Baldwin narra os acontecimento, descrevendo uma vivência e uma realidade tão distante da minha e, ainda assim, tão real e (infelizmente) atual é desconcertante. Fora isso, a história também fala bastante de esperança e de como manter algo tão frágil vivo quando todo o sistema é desenhado para ferrar com você, e quando as pessoas que estão no poder alimentam um ódio tão infundado que são capazes de ir contra a lei que juraram proteger.

    Uma parte que eu não gostei, no entanto, foi quando o autor falava sobre "o que é ser mulher" e, ainda mais, o que é ser uma mulher grávida. Eu não esperava me identificar 100% com a protagonista de Se a Rua Beale Falasse. Tish é uma mulher negra, eu sou uma mulher branca. Tish estava prestes a se tornar mãe, eu não. E por aí vai. Ainda assim, senti que James Baldwin não acertou exatamente ao tentar descrever o que, para ele, era ser uma mulher. Afinal de contas, ainda é um homem escrevendo sobre o assunto.

    É um milagre saber que alguém te ama.

    Quanto mais eu lia, mais se tornava difícil não comparar as conclusões dele com as de autoras como Alice Walker (A Cor Púrpura) e Octavia Butler (Kindred - Laços de Sangue) que li recentemente e escreveram sobre o que é ser uma mulher negra nos EUA no mesmo período em que Se a Rua Beale Falasse foi escrito. Senti que Baldwin escrevia de um ponto de vista mitificado, idealizado, quando comparado a realidade exposta por Walker e Butler. Então ficou aquele sentimento: desapontada, porém não surpresa. É mais ou menos o que eu espero quando um homem escreve do ponto de vista feminino.

    Resenha: Se a Rua Beale Falasse

    No mais, eu senti que o livro teria funcionado melhor comigo no formato de filme, mesmo - o que eu ainda quero assistir. No entanto, conseguiu me prender e fazer com que eu me importasse com os personagens e com a busca deles por justiça e verdade. Foi um bom livro, que me tirou da zona de conforto e me apresentou um novo olhar relações de afeto, raça, tristeza e esperança. Definitivamente recomendo para quem quer fugir um pouco do "mais do mesmo" que tem enchido o mainstream atualmente.

    Se o Fonny fosse branco, nem existiria um processo.

    Título original: If Beale Street Could Talk
    Autor: James Baldwin
    Tradutor: Jorio Dauster
    Editora: Companhia das Letras
    Gênero: Romance
    Nota: 4
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    Resenha: Se a Rua Beale Falasse

    1. mt interessante conhecer a narrativa desse livro, fiquei curiosa pra ler, seria o tipo de leitura que me tiraria da minha zona de conforto tbm

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    2. Oi Bibs!
      Nunca li nada do autor mas ja vi muita gente falar bem. Pessoalmente os estilo de livro dele nao me agrada, mas parece realmente uma leitura tocante e densa.

      Abraços
      David
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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    3. Oiii Bibs

      Essa imagem idealizada que complica porque para o leitor fica menos pouco convicente ou menos convincente em comparação com outros livros de mesmo tema como A Cor Púrpura. Olha, eu tenho tb curiosidade em assistir ao filme, o lilvro por enquanto não me atrai não.

      Beijos, Ivy

      www.derepentenoultimolivro.com

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    4. Oi, Bibs!
      Eu gostei demais desse livro! Agora só me falta conferir o filme que, pelo que me falaram, ficou bem fiel.
      Beijos
      Balaio de Babados

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    5. Oi Bi, tudo bem? Realmente às vezes tem história que funciona melhor em filme, mas de qualquer forma é uma história forte, bem forte....

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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