Resenha: A Retomada da União


Eu estou com sérias dificuldades para redigir essa resenha, como sempre parece acontecer quando o livro mexe com a minha cabeça. Positivamente, neste caso, porque A Retomada da União foi excelente como já era esperado; o desfecho digno que a trilogia Anômalos merecia.

Sinopse: Depois do atentado que ficou conhecido como Massacre Amarelo, a situação em toda a União está crítica. Para a maioria das pessoas, Sybil está morta. A tensão entre humanos e anômalos é palpável, e Fenrir se apodera da fraqueza de seus semelhantes para se intitular o herói da revolução. Com a ajuda de novos e velhos aliados, Sybil resgata seu passado ao mesmo tempo em que tenta conquistar um futuro diferente para seus iguais. Peça-chave no plano para deter os principais inimigos do Estado, a garota se encontra em meio a um jogo político abarrotado de intrigas e mortes. Prepare-se para desvendar os maiores e piores segredos que estão por trás do desfecho desta eletrizante trilogia.
Depois do caos no comício, Sybil Varuna se encontra refugiada com os amigos, sem entender o que está acontecendo e qual é o lugar seguro para onde a estão levando; para seus familiares e para seu inimigo, ela está morta. Para um levante silencioso que acontece entre a rebelião anômala e o governo humano, ela está mais viva do que nunca. Recém-descoberta filha de uma importante peça na conquista de liberdades para os anômalos, Sybil se vê frente a frente com a oportunidade de lutar pelo que acredita ser certo para ela e para todos que ela conhece, mas vai descobrir que a liberdade nem sempre vem com o jogo limpo. Especialmente quando o outro lado da moeda é Fenrir, que está determinado a conquistar o que é de direito dos anômalos derrubando a ordem que ele encontrar pela frente.

Mas é isso que eu quero? Fugir da situação, deixar que outras pessoas resolvem o problema enquanto me mantenho afastada de tudo? É exatamente o que eu fazia em Kali: nunca me importei muito com as batalhas, a guerra, o drama todo, nada fazia sentido para mim.
Eu nem vou reler esse resumo porque sei que ele ficou um caos. A sinopse fala muito mais do livro por si só, e o livro, obviamente, fala muito e muito mais.

A narrativa da Bárbara ainda tem os seus trejeitos, e logo de cara nos vemos reconhecendo a familiar voz de Sybil, a anômala que quase morreu num naufrágio e agora está de cara com uma revolução política. Política, sim, porque esse livro é muito sobre acordos e escolhas e embate de ideais que não combinam com o que os povos precisam, especialmente os anômalos, reprimidos e humilhados por tanto tempo de governo. Em um lado está Fenrir que, com a morte do Almirante no atentado do comício, assume-se como vítima das circunstâncias e o coitado que pode ajudar todos a deixarem de serem vistos como outras vítimas. Ele é o rosto radical, mas contido em sua posição de mártir, um líder bruto atrás das cortinas e benevolente para quem lhe interessa ser.

Fenrir entendia que não importava o preço que precisasse pagar, a liberdade é mais importante.
Idris, que Sybil vem a conhecer - e se tornou, de longe, uma das minhas personagens favoritas - é a pacífica ordem política que um novo mundo precisa. Ela sabe fazer escolhas, sabe aceitar riscos, e sabe sofrer por eles. Idris perdeu um membro importante de sua família, e o luto que a guia é a ideia de que a morte dessa pessoa pode ter algum significado se eles mudarem o que precisa ser mudado.



- Nós vamos discutir os últimos acontecimentos e descobrir o que vamos fazer agora. - Hannah oferece como explicação. - Idris nos orienta, mas só avançamos com um plano se consultarmos a todos. Mas raramente alguém discorda de Idris.
Há cenas de ação, há romance e há estratégias de uma guerra silenciosa na medida certa. O livro segue um ritmo calmo, embalado por alguns momentos de tensão, e termina em alguns capítulos de tirar o fôlego. Eu realmente não me lembrei de respirar em um deles, porque foi desespero do começo ao fim!

...Eles começam a gritar o nome de Fenrir em uníssono. Suas vozes se espalham, cada vez mais altas, estridentes, alteradas e percebo que, aos poucos, se viram na direção de onde estamos.
O crescimento da Sybil e sua forma de entender e aceitar (ou não aceitar) o que está acontecendo ao seu redor são coisas muito admiráveis nesse último livro. A relação dela com os próprios poderes, com o que sobrou da sua recém-descoberta família - e sobre o trágico passado envolvendo o seu nascimento - o fato de ela se manter tão próxima dos amigos e da velhinha que a criou no orfanato porque perder as pessoas que ela ama é seu maior medo, é tudo muito dela. Desde o começo do livro, você vê cada pedacinho da Sybil ali, mais forte e mais determinada, mas ainda a garota das primeiras páginas de A Ilha dos Dissidentes.



- O que mais admiro em você é como continua caminhando, continua viva, não importa o que aconteça. O passado não é uma âncora para você, é o combustível. Queria ser corajoso assim.
Andrei, seu par romântico, foi outro que teve um agradável destaque. Ao lado da vovó Clarice, mulher responsável por criar Sybil, que reaparece no começo do livro, ele luta para entender uma possível cura para os anômalos e as consequências do que essa nova arma pode causar a eles. O Andrei e a Sybil, gente, como eles são queridos! O amor deles não precisa ser explícito para ser real, e é tão real que eu queria rolar no chão e chorar. Os dois dividem ótimos momentos - um em especial (aquela carinha) - e eu não posso dizer que senti falta de mais, porque eles sempre estavam juntos. A Sybil sente tantos tipos de amores pelas pessoas importantes ao seu redor que é lindo vê-la distinguindo isso quando está com Andrei.

- Final feliz é um luxo que a maior parte de nós não tem, Andrei.


Outros anômalos, como Hannah, Hassam e Leon, tiveram seus melhores momentos durante o decorrer da trama. Leon especialmente, porque ele é o meu favorito desse livro. Eu só queria abraçá-lo o tempo todo e prometer que tudo ficaria bem. Hassam está mais no background, mas tem suas cenas impactantes, especialmente em relação ao Leon. Não vou falar muito a respeito, então deixo o suspense no ar. Hannah foi um amorzinho o tempo todo, forte e decidida e extremamente dedicada às pessoas e à causa.

Idris, como líder, foi excepcionalmente bem construída. Ela tem força e tem fraqueza e tem aquele que de mistério que te deixa pensando sobre sua história e o que a impulsionou até chegar na liderança de um levante; ao seu lado, a figura que mais se destaca, não tão positivamente porque a detestei desde o primeiro momento, é Cléo. Ela tem parentesco com a Sybil, e acha entender da menina melhor do que ela mesma; os conflitos emocionais entre as duas rendem boas discussões.

Por que sinto vontade de gritar enquanto caminho, frustrada com o fato de que sempre parece haver a necessidade de um sacrifício para que as pessoas possam ser livres?


A parte política e a guerra civil instaurada foram minhas favoritas. A Bárbara trilhou um caminho para esses acontecimentos desde o primeiro livro, desde a missão de Sybil, desde o incidente no metrô no segundo volume; tudo estava lá, esperando pelo estopim. Há muita tensão e incerteza, e o final da trilogia foi bem encaixado no que a história pedia. Não é feliz, mas não é triste, é um talvez. Eu queria tanto citar a frase final, porque foi a minha favorita do livro todo, mas me contenho e garanto a vocês que A Retomada da União (e a trilogia Anômalos) entrou para a minha lista de 'melhores distopias que você pode querer ler'.

Título original: A Retomada da União
Autor: Bárbara Morais
Editora: Gutenberg
Gênero: Distopia
Nota: 5

Confira a resenha de A Ilha dos Dissidentes
Confira a resenha de A Ameaça Invisível

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COMENTÁRIOS

10 comentários:

  1. Gostei muito da resenha, mas acho que vou ter que ler desde o 1° livro para poder entender tudo direitinho kk.

    Beijos,

    http://sweetlikecaramel.blogspot.com.br

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    1. Oi Nazaré!
      LEIA LEIA LEIA, uma das melhores distopias que já tive o prazer de conhecer! Vale muito a pena *-*
      Obrigada pela visita!

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  2. Amei a resenha!!!! Fiquei até emocionada com tudo o que sentiu com o fim da história! Obrigada! =*
    (eu sou agente da autora hahaha)

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    1. Ai que honra a agente por aqui *-----* ASFBASIUABGOUAB
      Imensamente contente por saber que a resenha agradou tanto! O livro foi uma das minhas melhores leituras do ano!
      Obrigada você pela visita *-*

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  3. Amei a resenha!
    Agora, com toda certeza, lerei essa distopia.

    Esses gifs estavam muito amores xD

    Beijos,
    Gi.

    -------------------------------
    http://surtandocompalavras.blogspot.com.br/

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    1. MENINA VAI LER LOGO AKJFSAUOBGSOABGOUASOUGAB
      Tentei me controlar nos gifs, mas não dá, eles são tão necessários G_G

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  4. Oi Deniseeeee!!

    Tudo bem? AMEI O VISU NOVO DO BLOG. Já tinha visitado bastante mas estava sem tempo de comentar direitinho e tudo o mais. Agora já me adaptei a nova rotina mais louca que nunca :D

    Não li toda a resenha porque já tenho o primeiro livro e logo vou iniciar essa trilogia distópica FODASTICA. Não tenho dúvidas de que o livro é maravilhoso, emocionante e tudo o mais!! Só pelos seus surtos e a premissa já da pra notar que amarei forte mesmo.

    Muito boa as resenhas mega empolgantes aqui no blog!! Adoro.

    Beijo
    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br/

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    1. Oi Camila, tudo bom e contigo?
      Ahhhhhh muito obrigada! Tô apaixonada pelo visual novo também, modéstia parte HUASHUUHAAUHSUHAS a Bibs arrasou. Fico muito feliz por ter agradado você!
      LEIA LEIA LEIA, e surte comigo! O primeiro livro é tão amorzinho e felicidade saudades felicidade, e daí o segundo tiro porrada e bomba e aí esse final tÃO FODA ASFBSABAOUABOUA aguardarei suas resenhas pra surtar contigo.

      Beijos,
      Denise Flaibam.

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  5. Nossa, não conhecia a trilogia. Feliz de saber que gostou tanto. =O

    Beijos,
    http://postandotrechos.blogspot.com.br/

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  6. Olá Flor
    Tudo bem?
    Eu não conhecia o livro, e também não conhecia o autor mas a premissa e realmente muito boa, pelo que entendi o livro conta com tudo não é mesmo?cheio de aventura e ação e um bom romance!apesar de não me agradar muito, livros que envolvem a politica percebi que a Historia era extremamente necessário, mas adoro quando o personagem se desenvolve sabe? amadurece no decorrer da leitura,enfim estou na duvida ainda se leio ou não,mais adorei sua Resenha parabéns flor.
    Beijinhos
    http://resenhaatual.blogspot.com.br/

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