Resenha: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

  • 09:00
  • 30 de dez. de 2019

  • Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é o segundo livro de Taylor Jenkins Reid que leio esse ano - e que nos foi disponibilizado pela editora Paralela para a resenha - e me encontro sem palavras para ele. Um história de amor intenso, privações, fama e os caminhos que percorremos para cuidar de quem amamos.

    Sinopse: Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes – seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido... pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história – ou sua "verdadeira história" –, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso – e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas. De autoria de Taylor Reid, este livro é publicação inédita no Brasil, feita pela Tag – Experiências Literárias em parceria com a Editora Paralela.

    Assim como aconteceu em Daisy Jones & The Six, a história é narrada como uma entrevista para a construção de uma biografia póstuma de Evelyn Hugo, atriz ícone de Hollywood que foi casada sete vezes e desperta a curiosidade de todos - já que nunca falou de seus maridos.


    Para essa tarefa, Evelyn escolheu Monique, uma jornalista ainda bastante jovem, que não entende porque aquela mulher, que poderia ter qualquer biógrafo, escolheu justamente ela para o papel. Fato é que Evelyn quer que sua biografia conte todas as verdades que escondeu por tanto tempo. Ela quer que sua história - a história verdadeira - finalmente conheça a luz, e escolheu Monique não por um acaso.

    Ah, eu sei que o mundo prefere mulheres que não tem noção do próprio poder. Mas eu estou de saco cheio disso.

    Mas ela só vai descobrir as motivações da atriz quando chegar ao fim de sua história de ascenção, queda e ressurreição em Hollywood, ao lado de sete maridos e - chocantemente - uma esposa. Junto de Monique, acompanhamos Evelyn desde a época em que ainda era uma garota de 14 anos, descendente de cubanos, morando em uma Nova York pós-guerra em busca de uma forma de escapar do pai abusivo e perseguir o sonho de sua mãe: fama em Hollywood - até o fim de seus dias, quando todas as pessoas que já amou estão mortas e à ela não resta nada a não ser a verdade.


    Resenha: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

    Eu já esperava muito de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, mas fui surpreendida com uma história ainda melhor. Taylor Jenkins Reid tem esse poder de criar personagens extremamente cativantes e reais. Ainda que Evelyn - ou Celia, Harry, Don e todas as outras figuras de sua vida - cometam diversos erros, é impossível não se importar com eles. Taylor nos coloca dentro da história, nos torna parte dela e é como se vivêssemos tudo aquilo ao lado de Evelyn - seja servindo mesas até ser descoberta, dormindo com homens que despreza para construir sua própria fama ou apaixonando-se perdidamente.

    Os Sete Maridos de Evelyn Hugo me fez sentir parte de uma realidade bastante distante da minha, e ainda assim, tão real. Chorei ao lado de Evelyn com cada perda sua; quando seus entes queridos começaram a morrer, cai no chão ao seu lado porque eu também os tinha perdido, e fui tomada por um sentimento muito forte de injustiça, porque eles mereciam mais tempo juntos, mereciam ser felizes.

    Pensava que as pessoas estavam no mundo para encontrar umas às outros, e que o meu propósito era encontrar você.

    E eu não sei precisar o que tornou a história tão real: os personagens cativantes? A forma como Taylor Jenkins Reid incluiu referências a histórias e marcos reais de Hollywood? A forma como Evelyn lidava com a fama, como esse mundo engolia ela e a cuspia de volta sempre que atrevia pisar no calo de algum homem importante, ou tornar-se poderosa ela mesma?


    Resenha: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

    Evelyn Hugo foi uma força da natureza, que nunca deixou ninguém ficar no seu caminho. Sempre foi atrás do que queria, participou de filmes cults e clássicos atemporais, subversiva quando necessário, mas também concedente se precisasse. Ela também era cabeça dura, teimosa, e apaixonada pela fama e admiração do público por sua imagem "exótica" e sensual.

    Mas, no fim, Evelyn Hugo foi uma personagem dentro da personagem. Uma criatura criada para ser misteriosa, arrebatadora e amada pelo público. E tudo que ela queria era ser apenas Evelyn para alguém que pudesse amá-la por inteiro: as partes boas e as más e tudo que estivesse entre isso.

    Imagina se todas as mulheres solteiras do planeta exigissem alguma coisa em troca de seus corpos. Vocês seriam as donas do mundo. Um exército de pessoas comuns. Só homens como eu teriam alguma chance contra vocês. E isso é a última coisa que esses cretinos querem: um mundo comandado por gente como eu e você.

    Seus relacionamentos eram sempre turbulentos - ou fraudados, apenas para as câmeras. Ainda assim, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo mostra como podemos escolher e formar nossas próprias famílias, que amor de verdade é conhecer os lados mais feios de alguém, todos os seus segredos, e ainda assim permanecer. Que amor não cura tudo, embora seja um bom começo.

    Evelyn Hugo foi tudo e mais um pouco: atriz, produtora, esposa, mãe, amiga, amante. Foi ingênua, sedutora, renegada, subjugada, premiada, revolucionária, escandalosa, icônica. E também foi amada, o que parece ter sido sua maior conquista. E, mesmo que tudo pareça dizer o contrário, Evelyn Hugo - ou Evelyn Ramirez - também nunca foi real. E essa constatação me parece absurda.

    Resenha: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

    Porque a cada novo evento mencionado em Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, eu precisava frear o meu instinto para ir até o Google e pesquisar mais sobre aquilo. Porque todas aquelas pessoas que ela mencionava, todos aqueles filmes escandalosos e poderosos e maravilhosos que ela tinha feito, não existiam de verdade. E mesmo depois de terminar o livro ainda me parece um exagero assumir que Evelyn Hugo é apenas uma personagem e não uma pessoa real.

    Sempre achei fascinante a maneira como as coisas podem ser simultâneamente verdadeiras e falsas, como um mesmo indivíduo pode ser bom e ruim, como alguém pode amar de uma forma linda e altruísta e ainda assim ser implacável na hora de arrancar o que quer da pessoa amada.

    Eu nunca vou conseguir parar de falar do realismo das personagens de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, da desolação de terminar esse livro maravilhoso e de como eu quero mais, muito mais da Taylor Jenkins Reid.

    Apesar de ter favoritado o livro, eu deixo aqui meu porém: sei que a personagem de Monique era necessária, mas senti que seu arco podia ter sido diferente. Não ter focado em seu casamento, por exemplo. Senti ela bastante "solta" dentro da história e me importei muito pouco com ela - basicamente não me importei. Foi um contraste muito grande enxergar Evelyn e todos em sua vida em tantas cores, profundidade e complexidade, e ver Monique ali, apenas existindo.

    Não tivemos muito dela, e acredito que se o tempo que passamos com ela tivesse servido para aprofundar seu relacionamento com os pais, por exemplo, teria sido melhor. Ainda assim, não é nada que atrapalhe a leitura, que deve arrebatar qualquer um. Super indico Os Sete Maridos de Evelyn Hugo e Taylor Jenkins Reid!

    Acho que ser quem a gente é - de verdade, e por inteiro - sempre vai exigir nadar contra a corrente.

    Título original: The seven husbands of Evelyn Hugo
    Autora: Taylor Jenkins Reid
    Tradução: Alexandre Boide
    Editora: Paralela
    Gênero: Ficção | Romance | Biografia fictícia
    Nota: 5+

    1. Acho que tudo que poderia falar aqui já comentei contigo por dm kkkkkkkkk Agora eu sigo pensando como colocar tudo que senti em uma resenha.. não vai chegar nem perto
      Beijos
      Balaio de Babados

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    2. Oi Bianca! É impressionante o sucesso dessa autora e acho incrível que só de ler a sinopse eu fico na dúvida se é ficção ou realidade. Ainda quero conferir, mas certeza que vou gostar!

      Bjs, Mi

      O que tem na nossa estante

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    3. Oie
      Quando li o título desse livro não me chamou atenção e não o leria, mas sua resenha foi intensa que me fez ficar curiosa e com vontade de conhecer a escrita da autora. Pelos teus comentários parece ser um ótimo livro.

      Feliz Ano Novo!!
      Beijinhos
      https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/

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    4. Oi, Bibs
      Eu acho que vi alguns quotes que a Lu postou, mas eu não me interessei muito pelo livro. Sei lá, acho que por parecer uma biografia, não é o tipo de enredo que me chame a atenção de nenhum tipo, mas eu vou guardar a dica mesmo assim!
      Beijo
      http://www.capitulotreze.com.br/

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    5. Oi Bianca.
      Que resenha maravilhosa! Você consegue passar toda a sua empolgação com esta leitura e nos deixa com muita vontade de conhecer a Evelyn, seja a atriz ou a real.
      Bjus

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    6. Oi Bibs!
      Eu vi tanta gente falando bem desse livro que fiquei curioso. Apesar de nao ser nada parecido com o que eu leio, e provavel q eu de uma chance.

      Abraços
      Emerson
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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    7. Oi Bibs,
      Li Daisy Jones esse final de ano e estou APAIXONADA! O livro até me arrancou lágrimas e agora quero ler tudo o que a autora escrever!!!!!!!
      E gostei dessa capa, mesmo um monte de gente criticando, rs.
      beijos
      http://estante-da-ale.blogspot.com/

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