Resenha: Cinder


A primeira leitura finalizada do meu ano foi UMA DAS MELHORES LEITURAS DA MINHA VIDA! E com ela vem aquela sensação de 'não sei como fazer essa resenha'. Eu tinha certeza de que indicação do pessoal do Tumblr não seria roubada, mas não imaginava que Cinder fosse derrubar tanto o meu emocional. História, cenário, personagens, tudo tão perfeito que eu quero desler pra ler de novo.
Sinopse: Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.
O mundo foi devastado por guerras, e nós estamos na Nova Pequim. A história começa com a Cinder, uma ciborgue  que trabalha para a guardiã legal - uma mulher asquerosa e metida e absolutamente egoísta quando se trata da órfã que o marido adotou para criar - recebendo uma visita especial na sua oficina mecânica; o príncipe Kai, herdeiro do imperador, pede que ela conserte um androide que é de vital importância para ele e 'para a segurança nacional'. Uma vez que ele se vai, a trama começa a se desenrolar cheia de adrenalina; existe uma doença fatal no ar, causada por um vírus perigoso e incompreensível, e os cientistas estão buscando uma cura há anos. Quando Cinder fica na presença de um infectado e não adoece, ela é levada até as dependências do palácio para ser estudada - e, principalmente, para entender porque diabos a ciborgue é diferente das outras pessoas.


Mesmo no futuro as histórias começam com era uma vez...
Honestamente, eu nem vou reler o resumo porque sei que não fiz jus à complexidade genial que é a história da Marissa Meyer. Há anos, literalmente, tenho visto comentários a respeito de Cinder e de como o universo futurístico/distópico da autora é algo usual; e meu senhor amado, eu queria voltar no tempo pra poder ter lido isso antes! A história mistura elementos de ficção científica à clássicos dos contos de fadas, e conforme você identifica as inspirações, quem são os personagens, como a autora mesclou isso a um cenário apocalíptico futurístico, é tudo genial demais e você quer chorar.
A lua vagarosa chamou a atenção de Cinder, e uma onda de arrepios cobriu seus braços. A lua sempre lhe causara certa paranoia, como se as pessoas que morassem lá pudessem estar observando-a, e tinha medo de que, se olhasse por muito tempo, pudesse atrair a atenção delas. Uma superstição sem sentido, mas tudo a respeito dos lunares era misterioso e envolto em superstições.
Não são só as nações da Terra que existem nessa trama. A Lua tem uma civilização, os chamados lunares, e eles estão prestes a começar uma guerra contra os terráqueos; quando a rainha lunar, uma mulher belíssima tida como feiticeira, vem ao planeta para uma negociação, as coisas que já estavam complicadas para Cinder e Kai ficam ainda piores. Com a doença se alastrando e a guerra piscando acima deles, segredos do passado e um futuro incerto cairão sobre os jovens até então estranhos um ao outro.
Ela olhou corredor abaixo, imaginando se havia falado fora de hora e sentindo-se estranha ao lado do príncipe Kai, que, de repente, era apenas Kai.
A Cinder é MARAVILHOSA. Uma personagem que tinha tudo para ser sofrida e cabisbaixa, uma vez que a órfã pouco sabe da sua vida além do fato de ser uma ciborgue que causa comoção negativa nas pessoas que a encontram. Ela não é humana, não merece respeito e nem a atenção dos outros. Mas ela exige isso; ela é forte, decidida e presente. Suas melhores amigas são uma androide engraçadinha e a meia-irmã do bem, Peony, e tudo o que Cinder sabe sobre o seu futuro é que envolve uma fuga; ela quer deixar a madrasta, aquela sociedade, tudo para trás. Ela quer partir e ser ninguém. Mas a vida não é tão simples, e suas decisões vão pesar sobre ela conforme a ciborgue se aventura mais e mais nas tramas políticas imperiais.

Um formigamento quente percorreu seu corpo, surpreendendo-a e assustando-a, mas não de uma forma desagradável, explodindo como eletricidade em seus fios. Dessa vez, ela não teve uma sobrecarga. Dessa vez, sua fiação não ameaçou queimá-la de dentro para fora.
Kai, por outro lado, é a compaixão e o espírito rebelde contido dentro de uma corte que exige tanto dele. Com o pai adoecido, Kai precisa se portar como o futuro imperador, como um rosto que inspirará confiança em seus súditos, e há a guerra prestes a estourar e os acordos medonhos que a rainha lunar quer fazer com eles. Em meio a isso, Kai encontra forças para sorrir e para se fazer presente na vida de uma mecânica que ele encontrou por querer e que foi uma grata surpresa ao seu conhecimento. Ele e Cinder se completam e, apesar das mentiras e das coisas que ele desconhece a respeito dela, você sente a amizade sutil crescer e se expandir em algo grandioso e emotivo que é o amor que eles sentem um pelo outro; nada de Cinderela ou Branca de Neve aqui, senhoras e senhores. Esse é um amor verdadeiro, pura e simplesmente. Algo que nasce com o tempo e se desenvolve com os descobrimentos e com os envolvimentos. Kai é uma gracinha de menino, todo tímido e sarcástico, e vai ser um grande imperador.

O ship deles é aquele tipo que me faz querer abraçá-los para protegê-los de todo o mal, amém. Há tantas faíscas entre os dois sempre que se encontram, e seus encontros são sempre inusitados e tão marcantes. Kai compreende Cinder, mesmo sem conhecê-la completamente, e os dois se mantém tão próximos, mas respeitosamente afastados. EU QUERO QUE SE BEIJEM QUERO QUE SE AMEM QUERO QUE CASEM E SEJAM FELIZES PARA SEMPRE PORQUE ISSO É BASEADO EM UM MOTHERFUCKING CONTO DE FADAS!

- Eles não têm espelhos porque não querem se ver?- Vaidade é um fato, mas é mais uma questão de controle. É mais fácil induzir os outros a acreditar que você é lindo se você puder se convencer de que é lindo. Mas espelhos têm um jeito incomum de dizer a verdade.
Outra personagem muito marcante foi a rainha lunar, Levana. Ela é claramente inspirada pela Rainha Má da Branca de Neve, mas tem elementos de outras vilãs dos grandes contos de fadas - o que a deixa ainda mais maravilhosa e medonha. Ela é uma antagonista, mas sei que há muito da sua história para conhecer. Claro que eu queria socar a cara dela contra um espelho em determinados momentos da trama, mas ela é uma rainha impiedosa e uma governante cruel, e a Marissa trabalha a sua personalidade de maneira exemplar. Os planos ocultos dela e os segredos a respeito da sua magia fazem de Levana uma figura misteriosa e sombria. Uma rainha má, acima de tudo.


Através de tramas intrincadas por segredos sombrios e uma solução medonha para o fim da praga que assola a Terra - especialmente depois que você descobre de onde essa praga veio e porque existe - constroem um livro emocionante do começo ao fim. A narrativa da autora é de tirar o fôlego e abre alas para uma série excepcionalmente criativa; já comprei Scarlet e Cress e espero que a Rocco não demore a lançar os outros dois livros, senão vou comprar em inglês mesmo, fuck it all.

Ah, a edição da Rocco é linda! Diagramação simples, mas com formato de letra agradável para leitura e páginas amareladas sempre bem-vindas aos meus olhos cansados. E a capa é um show à parte; as capas da série são deslumbrantes.


Cinder é uma leitura obrigatória a fãs de distopia, de ficção científica e dos bons e velhos e sempre inestimáveis contos de fadas.


Título original: Cinder
Autora: Marissa Meyer
Editora: Rocco
Gênero: Contos de fada / Sci-fi
Nota: 5 +

Saiba Mais: Skoob
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COMENTÁRIOS

5 comentários:

  1. Olá, Denise.
    A ideia de pegar uma ideia dos contos clássicos e misturar com futurismo é bem interessante. Não sei se me envolveria completamente com o enredo, mas tenho que confessar que a ideia é genial.
    Ótima resenha.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do top comentarista de janeiro. Serão dois vencedores!

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  2. Olá,
    Esse livro é ótimo, quando comecei a ler não conseguia mais parar, sem falar que simplesmente AMO releituras e a forma que essa foi feita é simplesmente sensacional. Já quero a continuação, mas o livro é da Rocco, o que significa que os preços são absurdos.
    Beijos
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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  3. Oi Denise,
    Engraçado que a capa passa uma coisa diferente. A primeira vez que vi, dificilmente pensaria que era distopia.
    Gostei muito do que li na sua resenha e da maneira como você contou como o romance deles é construído. Fiquei bem curiosa, acho que vou colocar na meta.

    Também acho as capas ótimas.

    P.S.: Eu gostei de Age of Ultron, mas Ant Man me surpreendeu mais, por algum motivo. E esse ano para o cinema está muito bom, começa com os filmes da temporada de premiações, que estão ótimos \o

    Tenha uma ótima quinta.
    Nana - Obsession Valley

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  4. Olá Denise,

    Eu vejo tanta gente falando desse livro e há muito tempo eu quero lê-lo, mas não consigo!!!!!
    Agora, depois que li essa sua resenha maravilhosa, fiquei com mais vontade ainda!!!

    A história parece ser tão sensacional; fico até nervosa!!!

    Tentarei comprar/ler o mais rápido possível!

    Beijos,
    Gi.

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    http://surtandocompalavras.blogspot.com.br/

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  5. Hey, Denise! Eu vim conferir a sua resenha para ver o porque você gostou tanto. Confesso que na época que tinha visto esse livro por aí não tinha sentido tanto interesse por motivos de que não curtia leitura sci-fi e vi ciborgue e não me interessei muito. Mas andei lendo algumas obras de ficção e muita distopia e por causa dos seus comentários eu vou conferir. Espero gostar tanto quanto você! Só fiquei desanimada por ser uma série bem grande. Mas o universo que a autora criou parece bem rico e interessante.
    Ótima resenha!
    Beijin...
    Pieces of Alana Gabriela

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