Resenha: A Menina Submersa #MulheresdaLiteratura

Resenha: A Menina Submersa #MulheresdaLiteratura

Quando eu terminei de ler A Menina Submersa eu não sabia muito bem o que falar sobre ele e, ainda hoje, continuo sem saber ao certo como falar sobre ele.

Sinopse: Com uma narração intrigante, não linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Imp é uma narradora não confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico.

A verdade é que o livro é bastante diferente do que estou acostumada e passei algum tempo absorvendo a história e me encontrando em como colocar em palavras as coisas que senti enquanto lia.

A Menina Submersa é contada a partir do ponto de vista da Imp -- India Morgan Phelps, que tem esse nome devido a India Wilkies, de E o Vento Levou. A Imp é esquizofrênica, filha e neta de possíveis esquizofrênicas, e começa a contar sua história de fantasmas para conseguir distinguir o que foi real ou não, do tempo em que conheceu Abalyn, sua namorada, e Eva Canning, seu fantasma.

Suspeito que passamos muito mais tempo pensando sobre nossos pensamentos do que pessoas sãs. Ainda assim, não tinha me ocorrido que a forma como eu via o mundo significava que eu herdara a "maldição da família Phelps".

Para começar, o livro segue um narrativa não linear. E não é o tipo de não linear como você está acostumado. Quando eu terminei o livro, acho que me senti um pouco como a Imp, confundindo as coisas e sem saber o que era real ou não. Isso foi uma das sensações mais marcantes e incríveis que tive com o livro, essa de ficar na dúvida, de absorver as informações que a Imp passa e não saber ao certo se elas são confiáveis ou não -- isso meio que me deixou maluca no final, quando as datas e os nomes e alguns fatos se contradiziam.

Resenha: A Menina Submersa #MulheresdaLiteratura

A narrativa segue a mente da Imp e devido a sua condição, pode estar mais claro ou mais confuso. Imp sabe que muitas coisas que vê ou que aconteceram não são factuais, mas isso não significa que não são verdadeiras. E por isso ela escreve sua história de fantasmas, embora esteja cheia de acontecimentos que podem não ter sido factuais, ela acredita que são verdadeiros e por consequência, o leitor acredita também.

Nunca saberemos se o sobrenatural é factual ou não na história dela, e é esse não saber, essa narradora nada confiável que é a Imp, que torna a leitura uma jornada tão inesperada.

Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo.

Estar dentro da cabeça da protagonista foi uma coisa incrível. A maneira como ela forma pensamentos e como a história se desdobra e dobra de novo, como ela dá voltas e deixa sua personalidade tão evidente nas memórias que escreve deixa uma marca profunda na história. 

A versão que tenho é a primeira publicada pela editora DarkSide, em brochura com aquela capa linda e uma diagramação maravilhosa, mas levei algum tempo para ler. O que venho dizer é que: não se deixe enganar pelo começo lento de A Menina Submersa, depois que você passa das cinquenta primeiras páginas o livro flui bem, facilmente e desenrola uma história impressionante -- confie em Neil Gaiman.

Resenha: A Menina Submersa #MulheresdaLiteratura


Embora tenha me arrastado um pouco pelas primeira páginas, enquanto era introduzida ao mundo da Imp e a escrita da Caitlín R. Kiernan, o começo do livro é a parte com as melhores frases, especialmente porque foca tanto em um diálogo interno da protagonista.

Não poderia deixar de indicar A Menina Submersa, especialmente para quem gosta de livros que mexem mais com o psicológico -- sem contar que o "livro dentro do livro", onde temos acesso a dois contos escritos pela Imp, são dois pontos altíssimos da história, em particular O Sorriso do Lobisomem, meu favorito. Aos fãs de horror -- embora a própria Caitlín diga que não escreve horror -- e aos fãs de thrillers psicológicos, esse livro é muito indicado também.

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E para quem se bateu um pouco com as questões 23 e 24 do Desafio Eu e as #MulheresdaLiteratura, também deixo aqui que o livro traz uma protagonista homossexual, com uma namorada trans e é escrito por uma mulher trans. Se você quer expandir seus horizontes, é um bom lugar para começar e sair do ponto comum.

Título original: The Drawning Girl
Autora: Caitlín R. Kiernan
Editora: DarkSide
Gênero: Horro - Fantasia
Nota: 4.5

Saiba Mais: Skoob  |  Autora  |  Amazon

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COMENTÁRIOS

6 comentários:

  1. Eu tenho esse livro, mas tenho um certo receio de ler porque uma amiga leu e disse que era meio confuso... pelo sua resenha pareceu-me meio confuso, de fato, mas isso torna o livro ainda melhor... pelo menos, foi essa a sensação que fiquei ao ler a resenha...

    xoxo
    Mila F.
    @camila_marcia
    www.delivroemlivro.com.br

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  2. Tenho que tomar vergonha na cara e ler esse livro, que já faz tempo que tá na minha estante. Muita gente acha bastante confuso, mas pelo que eu entendi, a confusão é proposital, né? Estou interessada na leitura.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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  3. Oi, Bibs :)
    Comprei esse livro há muiiiito tempo e ele tá lá na estante me encarando e julgando mas ainda não tive tempo para ler!
    Gostei demais da sua resenha, mudou completamente o que eu estava esperando e fiquei bem ansiosa.

    Beijos,
    Giulia | www.1livro1filme.com.br

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  4. Não tinha lido até hoje uma resenha sobre esse livro e nem vou mais rs simplesmente porque essa já supriu minhas necessidades quanto a ele! Desde a primeira vez que pus meus olhos sobre aquele livro eu o quis kkk pena que ainda hoje continuo não o tendo :(
    Mas... adorei a resenha, não tinha ideia sobre o que essa belezinha tratava apesar de querê-lo como uma louca kkk e agora quero saber qual a sensação de lê-lo também.
    Beijos!

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  5. Adorei sua resenha e concordo: o começo tem as melhores frases, mas todo o livro tem um diálogo interno ótimo. Pelas críticas que eu tinha vista, não achei que fosse gostar tanto. Como já resenhei esse livro também, vou deixar o link do meu blog, caso queira conferir. Aproveite também para participar do sorteio: todos os comentários em postagens de setembro e outubro estão concorrendo
    http://livroslapiseafins.blogspot.com.br/

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  6. Olá.
    Sua resenha ficou muito boa! Você soube captar bem a essência do livro.
    Li mês passado para o mês do terror, como é chamado outubro, e até fiquei postergando a leitura porque eu sou uma pessoa muito medrosa e fujo de livros desse gênero. Mas fiquei muito surpresa ao iniciar a leitura e me dar conta de que não era um livro de terror, está mais para um livro de suspense, um livro de fantasia e não senti mesmo, mas ficava ansiosa para saber o que ia acontecer toda vez que a Eva era citada.
    Achei fantástico a forma como a autora consegue fazer com que o leitor se sinta dentro da mente da personagem, especialmente naquele capítulo sete, em que a Imp tem a crise. Se é desesperador para mim, que sou uma pessoa "normal", fiquei imaginando como deve ser para as pessoas esquizofrênicas.
    Abraços.

    Minhas Impressões

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