4 Livros que Eu Amava e Hoje Não Gosto Mais - Queria Estar Lendo

4 Livros que Eu Amava e Hoje Não Gosto Mais

4 Livros que Eu Amava e Hoje Não Gosto Mais

Quem nunca parou para olhar um livro que ama muito e pensou "acho que se eu relesse eu não gostaria mais tanto assim dele"? Recentemente me peguei olhando para livros que eu curto muito, mas que li a muito tempo, e percebi que são livros que eu amava, mas hoje não gosto mais.

Não que isso queira dizer que eu odeie eles ou não recomendo a ninguém, mas são livros que li em uma fase completamente diferente da minha vida, que trazem problemas que hoje são inaceitáveis para mim ou fogem demais da realidade que eu percebo a minha volta, e me forçam a ver que se eu tentasse ler eles hoje, pela primeira, eu nunca teria chego ao fim.


4 Livros que Eu Amava e Hoje Não Gosto Mais

A Irmandade da Adaga Negra - JR Ward

A Irmandade da Adaga Negra, iniciada em Amante Sombrio, foi uma das primeiras indicações da Eduarda pra mim. Na época eu ainda era uma leitora tímida, ficando mais pela lista de Best-Sellers tipo A Menina que Roubava Livros ou me aventurando pelos livros da Meg Cabot e alguns outros YAs sobrenaturais que me lembrassem Crepúsculo.

Quando peguei o livro, não dava muito para ele e as primeiras páginas foram um pouco arrastadas, mas no fim terminei Amante Sombrio em dois dias e logo dei sequencia com Amante Eterno. Li todos os primeiros oito livros (era o que tinha disponível na biblioteca da faculdade) em umas duas semanas. Logo depois comprei o novo, Amante Liberta e um pouco mais pra frente o décimo, que era o lançamento do ano, Amante Renascido. Eu engoli os livros e amei fortemente e esperei ansiosamente pelo próximo ano, com o novo lançamento.

Mas um ano mudou muita coisa na minha vida, e só consegui ler o décimo primeiro, Amante Finalmente, quase dois anos após o lançamento e foi extremamente decepcionante. Além de ter estragado completamente o casal protagonista, que era um dos meus preferidos na série, me fez ainda mais alerta para os preconceitos e sexismo do livro, e acho que isso fica evidente até no desenrolar das minhas resenhas da série, que começam relativamente positivas com o primeiro livro, mas vão se desmanchando em mais críticas conforme avanço pela série.

Depois da decepção com Amante Finalmente foi impossível não reparar nos romances abusivos - justificados nos livros como uma tentativa de proteger as fêmeas dos inimigos da Irmandade -, a possessividade, a obsessão, a sensação de posse dos vampiros em relação as suas companheiras. Há uns dois anos eu tentei reler Amante Liberto, que costumava ser um dos meus preferidos, e não consegui lidar com as situação abusivas - especialmente vindas de uma personagem que foi fortemente abusada na infância e pré-transição.

Há duas bienais eu comprei A Besta e Beijo de Sangue (Legados da Irmandade da Adaga Negra 1) e até hoje não consegui ler. Não consegui passar do capítulo 2 de A Besta porque tudo nele me irritava e eu não sentia a euforia de antes, mesmo com um livro protagonizado pela minha personagem preferida. Acho que não consigo mais "olhar por cima" do machismo e do preconceito em prol da Irmandade, e é meio decepcionante. Mas realmente, A Irmandade da Adaga Negra é uma série que eu nunca teria lido além do primeiro livro - imagina então ter sobrevivido ao quarto, que já na época eu achei um porre.


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Crepúsculo - Stephenie Meyer

Não me levem a mal, porque Crepúsculo tem lugar cativo no meu coração e fala sem vergonha nenhuma que eu amo ele e que não seria a pessoa que sou hoje sem ele. O livro chegou quando eu estava desistindo de escrever e quando lia uma quantidade muito baixa de livros, e trouxe um sopro novo para a minha vida como escritora e leitora, me abriu infinitas portas sobre gêneros e subgêneros literários e me instigou a mais.

Porém, é inegável que se eu estivesse lendo ele hoje não teria passado das primeiras cenas bizarras entre Edward e Bella. Lembro que na época eu li todos os livros muito rápido, fiquei obcecada, twilighter mesmo, escrevi muita fanfic, discutia com azamiga sobre a história. Mas também é inegável que Crepúsculo é o livro símbolo dos romances sobrenaturais abusivos dirigidos a jovens adultos. Não é nem de longe o primeiro ou o último (assim como 50 Tons de Cinza) mas é basicamente a bandeira da causa. Posso até ver meus comentários a respeito do livro no histórico de leituras do skoob, se fosse hoje, e não seriam nada lisonjeiros ou surtados.

Provavelmente a única coisa que eu gostaria nos livros hoje seriam os vampiros x-men que brilham no sol (e isso não foi ironia, eu realmente gosto dessa parte nos livros).


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Os Instrumentos Mortais - Cassandra Clare

Ah, Os Instrumentos Mortais. O livro com o mundo pelo qual mais recentemente me apaixonei. Na época até Clary e Jace eu shippava. Que loucura, né? Não foi até recentemente (ano passado, acho?) que me peguei nutrindo um ranço especial pela Cassandra Clare, cheia de falar que inclui X coisas nos livros dela que ela realmente não faz. Cheia de criticar relacionamentos abusivos, e ainda assim escrevendo eles de forma romantizada em seus livros, cheia de criticar homofobia, e ainda assim enaltecendo um personagem de destaque, mesmo ele sendo bifóbico. Reforçando a importância da sororidade, mesmo quando escreveu rivalidade feminina gratuita entre suas duas personagens femininas de mais destaque por, basicamente, 4 livros inteiros. Descrevendo personagem masculino como O CARA BONZINHO, mas brigando com as pessoas que insinuavam que ele é um traidor (o que ele é, ela mesma disse nos livros).

Acho que quando comecei a me dar conta do ranço que estava surgindo pela autora, foi quando comecei a reavaliar os livros na minha mente. Consegui salvar As Peças Infernais, grazadeus, mas Os Instrumentos Mortais realmente não teve retorno. E eu sei que ele é um livro que foi primeiro publicado lá em 2005 e muita coisa mudou de lá para cá, mas ele já era um livro bastante progressista na época, utilizando o mundo shadowhunter como uma alegoria para críticas sociais ao nosso mundo e, ainda assim, sustentando-se em cima de preconceitos, traições, rivalidade fúteis, romances abusivos, tudo coisa que ela desculpava com o cenário sobrenatural e passava por romance ou só porque "o personagem é tão fofo e querido e desajeitado e amável que não conseguiu escolher uma das meninas então ele acabou namorando as duas ao mesmo tempo, porque não sabia escolher, mas isso não quer dizer que ele é um traidor, ele ainda é super fofo e ele ama mesmo aquela dali, olha só".

Honestamente, eu jamais teria chegado na metade de Cidade das Cinzas no dia de hoje. Nunca teria perdurando a lenga-lenga Jace/Clary e sou tão grata a existência da série de TV que (até agora) corrigiu com maestria muitos dos preconceitos e falhas de Cassandra.


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Fazendo Meu Filme - Paula Pimenta

Fazendo Meu Filme foi o primeiro livro nacional que eu li, lá com meus dezesseis anos. Na época tinha só os dois primeiros ainda e amei muito o formato, escrito por e-mails.

Dito isso, não tive nenhuma revelação recente que me fez desgostar do livro, de fato até indico ele. Apesar de eu achar que algumas situações são muito "fora do normal" do tipo, os pais realmente não deixaram uma menina jovem assim fazer tudo aquilo que a Fany faz nos livros, ainda acredito que seja uma boa pedida para pré-adolescentes e até adolescente. 
Mas realmente não funcionaria para mim hoje, e isso que eu sou muito fã de YA.

Acho que a linguagem dos livros é um pouco imatura demais, e isso não é uma crítica, porque estamos falando de adolescente e adolescente são imaturos, é a época de serem imaturos e irresponsáveis e inconsequentes, de viverem muito e testarem seus limites para encontrarem eles. É a época de ser assim, de fato. Mas também é fato que isso me irritaria muito. A máxima de adolescente de filme hollywoodiano não funciona mais pra mim, e por isso Fazendo Meu Filme e toda a história da Fany perde seu apelo comigo, atualmente. 

Depois que você chega a uma certa idade, com uma certa bagagem de leitura, você começa a esperar coisas diferentes mesmo de livros que trazem "mais do mesmo", e não é isso que eu vejo em Fazendo Meu Filme.

Não li os dois últimos e depois de tanto tempo, nem pretendo. Mas acho que continua sendo interessante para quem tem 13/16 anos, mas não mais para quem já passou dos 25 - por mais que ame YAs como eu.

E vocês? Quais os livros que curtem, mas acreditam que fariam uma leitura muito diferente hoje em dia?

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COMENTÁRIOS

12 comentários:

  1. Oi, Bibs.

    Acho que no fundo, isso acontece com todo leitor.

    Ainda não tem nenhum livro que eu não gosto mais, porém, possivelmente "Cinquenta Tons de Cinza" se encaixaria nisso tudo.

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  2. Olá Bibs
    Olha eu te compreendo e isso é super normal de acontecer, pois com o passar dos anos nós mudamos e nosso gosto literário muda, eu por exemplo estou numa fase apaixonada por chick-lits e estou lendo o máximo que posso, pois sei que em algum momento chick-lits não serão mais o que comanda meu coração, e outro gênero que não curto muito irá ocupar o lugar do chick-lit e isso é normal, e como você disse não significa que vamos odiar, mas que não será a mesma coisa como antes, amei o post!
    Beijos <3

    estanteclassica.blogspot.com

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  3. Oii Bibs!
    Isso tbm acontece cmg...Tenho alguns na estante que deixei lá atrás, escondidos rsrs Não leria novamente...

    Bjs!

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  4. Também não gosto mais de Crepúsculo

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br

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  5. Nunca li nenhum desses e não tenho interesse também XD
    Mas acho que é normal, nos vamos evoluindo e perdemos a paciência com "lenga lengas", vamos ficando mais exigentes com o tempo.

    Toca da Lebre

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  6. Oi, Bibs

    Super normal isso acontecer e também acontece de eu não curtir livros agora, mas com certeza os curtiria se os lesse há 10/15 anos. A gente vai crescendo e nossas concepções vão mudando, acho super válido essa mudança de opinião.
    E eu ainda adoro Crepúsculo! Hahahaha

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  7. Oi, Bibs!
    Nossa, super concordo com Crepúsculo. Não tenho vergonha de dizer que amei na época, que era team Jacob até morte, mas se lesse hoje em dia, iria mandar Edward e Bella diretamente para um psicólogo.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  8. Oi, Bianca
    Eu gostei muito do seu post, acho até que vou fazer um assim lá no blog.
    Eu confesso que também sinto o mesmo com Crepúsculo, acho que a vibe mesma era pra aquela idade que eu tinha quando li.
    Agora, já pensei muitas vezes em colocar Cinquenta Tons de Cinza nessa categoria mas vou ser sincera que na época que eu li, eu gostei tanto que reli a trilogia 3x, então seria bem hipócrita dizer que ainda não gosto haha
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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  9. Oi Bibs

    Alguns livros são muito da nossa época, amamos em alguma hora e depois pensamos puts como gostava desse livro. Crepúsculo também me marcou da mesma forma, me fez voltar a literatura. Acho que esses livros ficam marcados.
    Bjs

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  10. Oi
    DA sua lista de já gostados eu li Crepúsculo e, pra mim, nunca foram gostados. Enquanto eu lia aquilo eu pensava: Essa Bella tem problema. Tropeça nos próprios pés, não sabe falar um não quando vê um cara bonito, ama um e se aventura com o outro... Doidinha. E esses vampiro fresco? Eu torcia era pros Volturi kkkkkk

    Vidas em Preto e Branco

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  11. Oi Bibs!
    Acho que isso é bem normal: tem livros que nos acertam em cheio em alguns momentos da vida e em outros ja não fazem o menor sentido. Eu morro de vontade de reler "O Morro dos Ventos Uivantes", que amei há uns 10 anos, mas morro de medo de nao gostar e estragar a memória boa que tenho da leitura.
    Beijos,
    Alem da Contracapa

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  12. Eu fico chocada de como romances abusivos são jogados para adolescentes. É ainda pior quando a autora se diz militante, mas não em seus livros. Não sabia que a Cassandra Clare tinha dito essas barbaridades e dou graças a Deus de seus livros nunca terem me interessado.

    O medo de pegar ranço de um livro que amei antes é uma das causas para eu não reler livros. Ainda mais livros infanto juvenis. Os que leio agora já acho meio sem graças porque não casam mais com minha idade.

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